No primeiro mês de exibição, ‘Quem Ama Cuida’ já se destacou no cenário das novelas brasileiras. Com uma trama repleta de clichês queridos do gênero, a novela traz mocinha injustiçada, uma família rica em disputa por herança, vilã implacável, romance proibido e até um assassinato misterioso. O grande enigma que prende a atenção dos telespectadores é: quem matou Arthur Brandão?
A história, que aposta em uma formulação clássica, tem sido defendida por um elenco talentoso e promissor. No entanto, a carga de sofrimento imposta à personagem Adriana, interpretada por Letícia Colin, tem gerado discussões. Em vez de intensificar a empatia, o excesso de tragédias pode acabar criando um distanciamento no público.
Adriana, uma fisioterapeuta dedicada, enfrenta uma série de desventuras desde o primeiro capítulo. Após perder a casa e o marido em uma enchente, ela começa a trabalhar como cuidadora de Arthur, um milionário solitário. O vínculo entre os dois é um dos pilares da trama, resultando em um casamento civil estratégico para proteger seus bens e provocar a família. Contudo, uma reviravolta deixa Adriana como principal suspeita do assassinato de Arthur, condenando-a injustamente.
A performance de Letícia Colin tem sido fundamental para manter o público ao lado de Adriana, mesmo quando a personagem enfrenta uma espiral de desgraças. Julgamento, prisão, perdas e ameaças compõem a rotina da protagonista, preparando o terreno para sua vingança na segunda fase da novela.
É importante que Adriana também tenha momentos de leveza, que revelem suas aspirações e alegrias antes de sua queda. Até agora, a novela tem falhado em explorar esse aspecto, oferecendo apenas vislumbres apressados de sua vida antes das tragédias. A relação com Arthur, por exemplo, poderia ter sido mais desenvolvida, para que sua morte tivesse um impacto mais profundo.
Outro ponto de alívio na trama é o romance de Adriana com Pedro, vivido por Chay Suede. A química entre os atores é evidente, mas a relação é rapidamente interrompida para proteger Pedro das ameaças de Pilar, interpretada por Isabel Teixeira.
Pilar desponta como uma vilã inesquecível, com uma atuação marcante de Isabel Teixeira, que não exagera nos clichês do gênero, mas ainda assim gera raiva e tensão. A relação de Pilar com Brigitte, personagem de Tatá Werneck, é um dos destaques da novela, revelando como a violência emocional pode ser transmitida entre gerações.
Brigitte, por sua vez, é um dos grandes acertos, com Tatá Werneck trazendo uma personagem complexa e cheia de nuances, transitando entre o cômico e o trágico de forma sutil e eficaz.
A interação entre Mau Mau, interpretado por João Victor Gonçalves, e Otoniel, vivido por Tony Ramos, é outro ponto alto. A relação entre avô e neto aborda conflitos geracionais e questões de forma delicada, enriquecendo a narrativa com sutileza.



