Paula Fernandes apresenta retrospectiva e fala sobre assédio, timidez e retomada
Paula Fernandes, 41 anos, promove na noite desta quinta-feira (16) o espetáculo “30 e poucos anos”, que celebra sua trajetória na música sertaneja. A mineira de Sete Lagoas falou por telefone com a revista durante um intervalo de ensaios e explicou que revisitou repertório e memórias para montar um show que mistura música, projeções, iluminação e até aromas para provocar lembranças no público.
A artista contou ter participado ativamente da concepção do projeto, dos arranjos e da produção dos conteúdos exibidos. Parte do material gravado para as apresentações traz a cantora em situações cotidianas, em casa, com animais e sem a produção habitual — pouco ou nenhum maquiagem e até descalça — para mostrar uma versão mais íntima e próxima de seu “habitat”.
Paula afirmou que essa escolha também responde ao período em que ficou mais reclusa após alcançar grande sucesso. Ela lembrou que, nas fases de maior agenda, chegou a fazer cerca de 200 shows por ano em cidades de todas as regiões do país e que, à época, sofria assédio frequente: “As pessoas não param para pensar quantas vezes eu fui assediada”, afirmou, relatando episódios em que havia centenas de pessoas à sua porta — cita números entre 400 e 500 — e atendimento era impossível.
Ao falar sobre a reação do público e da mídia à sua postura mais reservada, Paula disse sentir-se injustiçada por ser taxada de antipática. A cantora classificou sua retração como mecanismo de autoproteção diante de situações que, segundo ela, incluíam assédio e representações inadequadas por parte de pessoas que a representavam. Ela reconheceu erros do entorno e assumiu responsabilidades pessoais, mas manteve que sua timidez e necessidade de resguardar o processo criativo sempre pautaram sua carreira.
No espetáculo, a cantora terá como convidados nomes da música sertaneja e da MPB, entre eles Zezé Di Camargo, Guilherme & Santiago, Simone Mendes, Sérgio Reis, Padre Fábio de Melo e Ana Castela — com quem dividirá o palco pela primeira vez. Paula enalteceu a trajetória de Ana, ressaltando que a nova geração feminina tem conquistado espaço mais rapidamente do que foi necessário para algumas artistas mais antigas.
Sobre o gênero, a cantora avaliou que houve avanços para as mulheres no sertanejo, mas que ainda há desigualdades, como a presença reduzida de cantoras nas grades de festivais e rodeios. Ela também comentou que, pessoalmente, não funciona “sob pressão” e que precisa de tempo e descanso para compor.
Além do show, Paula citou a experiência na televisão — participa da novela Coração Acelerado — e manifestou interesse por cinema, inclusive em papéis distintos do seu habitual perfil público.
O espetáculo é apresentado como uma celebração e um resgate da cantora, que afirma ter orgulho da própria história e estar em uma fase de maior maturidade e equilíbrio pessoal.
Com informações de Revistamarieclaire.globo
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