Em 2016, “Manchester à Beira-Mar” chegou aos cinemas com Casey Affleck no papel de Lee Chandler e conquistou a Academia. A atuação rendeu ao ator o Oscar de Melhor Ator, prêmio entregue em cerimônia com transmissão da Globo. Nos bastidores, porém, o personagem havia sido escrito para outro astro: Matt Damon, que permaneceu como produtor do longa depois de abrir mão de protagonizá-lo.
Como o projeto nasceu
A ideia do filme surgiu de uma conversa entre Matt Damon e John Krasinski, que convidaram o roteirista e diretor Kenneth Lonergan. O plano inicial previa Damon na direção e Krasinski no papel principal. Três anos depois, com Krasinski fora da produção, Damon chegou a assumir a função de protagonista, deixando Lonergan à frente da direção.
Conflito de agenda e decisão de escalação
Quando as filmagens finalmente foram confirmadas, Damon já estava envolvido com “Perdido em Marte”, “Jason Bourne” (2016) e “A Grande Muralha” (2016). Sem espaço na agenda para atuar, ele manteve-se como produtor executivo e, por ter poder de decisão, escolheu pessoalmente quem herdaria o papel:
“Aquele era o melhor papel que eu tinha visto em cerca de 20 anos. Mas eu não podia fazer porque tinha ‘Perdido em Marte’ e outros trabalhos pela frente. Eu disse ao Kenny [Kenneth Lonergan]: ‘A única pessoa no mundo para quem eu vou dar esse papel é Casey [Affleck]’, porque ele era a única pessoas que poderia fazer o personagem da maneira que merecia ser feita”
“Ele é um dos melhores atores do mundo”
Da amizade ao reconhecimento da Academia
Damon e os irmãos Affleck são amigos há mais de quatro décadas. Essa proximidade, segundo o ator de “Gênio Indomável”, facilita a colaboração profissional.
“compartilhamos experiências e relações, e confiança e amor”
“Há um entendimento intrínseco de quem somos”
“Parte de ser ator é se colocar em posições que se é rejeitado constantemente – e saber que alguém está vivendo isso também, fazendo os mesmos sacrifícios, é a razão para termos nos conectado”
“Na nossa profissão, existe uma linguagem criada para tentar proteger os sentimentos das pessoas porque os egos sempre estão envolvidos. [Eu e Casey] não perdemos tempo com essa diplomacia, o que é algo que eu amo”
Quarta chance perdida
Antes de “Manchester à Beira-Mar”, Matt Damon já havia sido indicado três vezes ao Oscar como ator: Melhor Ator por “Gênio Indomável” (1997), Melhor Ator Coadjuvante por “Invictus” (2009) e novamente Melhor Ator por “Perdido em Marte” (2015). Embora a produção de 2016 tenha lhe garantido uma nomeação na categoria de Melhor Filme, a estatueta de interpretação ficou com Casey Affleck — reconhecimento que poderia ter sido de Damon caso sua agenda permitisse assumir o papel.
Fonte: Revista Monet
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