São Paulo – Ney Matogrosso, 84, afirmou que a separação da formação clássica do Secos & Molhados, em 1974, ocorreu por desentendimentos sobre a partilha dos valores recebidos nos shows. A revelação está na série documental “Primavera nos Dentes – A História do Secos & Molhados”, que estreia nesta quinta-feira (31) no Canal Brasil.
“Acabou por causa disso. Nosso acerto inicial era dividir igualmente todo o dinheiro que entrasse”, declarou o cantor durante evento de lançamento da produção.
Bastidores da ruptura
A formação original – Ney Matogrosso, Gerson Conrad e João Ricardo – marcou a cena musical brasileira dos anos 1970 ao misturar teatralidade, maquiagem e rock. Segundo Ney, as divergências financeiras foram decisivas para o rompimento definitivo após o segundo LP, lançado em 1974.
Músicas barradas e disputa judicial
João Ricardo não autorizou o uso do repertório do grupo na série, o que levou a uma disputa judicial entre o músico e a produtora Santa Rita Filmes. Sem as canções originais, os produtores convidaram o pianista Emilio Carrera e o contrabaixista Willy Verdaguer para compor faixas inéditas inspiradas na sonoridade do trio. Ney e Gerson dividem os vocais na música “Ouvindo o Silêncio”.
Atualmente, João Ricardo detém os direitos autorais sobre o nome Secos & Molhados, tema que segue em debate nos tribunais. A imagem do músico precisou ser borrada digitalmente no livro biográfico “Meteórico Fenômeno” por causa dessa disputa.
Pressões internas
Em entrevista concedida ao portal Splash em 2023, Ney contou que sofreu cobranças para mudar a forma de se apresentar no palco, pois a exposição artística do grupo era criticada como “conjunto de homossexuais”. “Eles disseram que eu não podia fazer o que estava fazendo. Eu respondi: ‘Vocês podem falar que vocês não são’”, relembrou.
A série documental reúne depoimentos dos integrantes e de músicos que participaram do projeto, além de imagens de arquivo raras da trajetória meteórica do trio.
Com informações de UOL
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