Michael Caine, que viveu o mordomo Alfred Pennyworth na trilogia de Christopher Nolan, comparou em suas memórias as performances de Jack Nicholson e Heath Ledger como o Coringa. No livro Don’t Look Back, You’ll Trip Over, o ator britânico elogia a dedicação de Ledger e analisa as diferenças entre as duas versões mais lembradas do vilão.
Caine recorda que Cesar Romero foi o primeiro a interpretar o Coringa na série e no filme Batman de 1966, e salienta que a atuação de Jack Nicholson em Batman (1989) é considerada por muitos como referência, tendo rendido ao ator indicações ao Globo de Ouro e ao BAFTA. Ainda assim, segundo o ator, Heath Ledger elevou o patamar ao trazer um lado mais psicótico ao personagem em Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008).
Sobre Ledger, Caine escreve: “ele era uma cara adorável, muito gentil e modesto”. O britânico conta que se perguntava como o ator conseguiria encarar o papel após a versão icônica de Nicholson. Em seguida, elogia a abordagem de Ledger: “Brilhantemente, Heath aumentou ainda mais o lado psicótico do personagem em vez de só falar frases de efeito”.
O ex-interprete de Alfred descreve o Coringa de Ledger como “profundo, profundamente deformado e danificado”, ressaltando que o filme não explica plenamente suas motivações. Caine cita uma fala de seu próprio personagem — “Alguns homens só querem ver o mundo queimar” — e afirma que essa frase resume a visão de Ledger sobre o vilão, que se manifestava na maquiagem manchada, no cabelo e na voz estranhos.
Ao relatar sua reação ao ver Ledger em cena pela primeira vez, Caine afirma ter ficado “absolutamente chocado” e “aterrorizado”. Ele destaca também que não tinha medo do ator fora das filmagens, pois Ledger era uma pessoa afável; durante as gravações, brincava e se divertia com Christian Bale, antes de assumir a persona do Coringa em cena.
Na obra, Caine observa que a atuação de Ledger elevou o nível de todos no set e que a batalha psicológica entre Coringa e Batman — a pergunta sobre o que motiva alguém a fazer o bem ou o mal — tornou-se ainda mais fascinante com essa interpretação. Segundo ele, o Coringa de Ledger procurava convencer Bruce Wayne de que eram essencialmente semelhantes.
O ator também recorda a morte de Ledger, ocorrida em janeiro de 2008 por overdose acidental, e descreve o episódio como “absolutamente horrível”. Caine afirma que ainda se entristece ao lembrar do ocorrido mais de quinze anos depois e lamenta o potencial desperdiçado do ator, que tinha 28 anos na época. Ele comemora o Oscar póstumo concedido a Ledger em 2009, dizendo que a estatueta trouxe algum consolo à família e reafirma que a performance é histórica e que Ledger será lembrado como um grande ator.
Com informações de Revistamonet.globo
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