O Costume Institute do Met anunciou que não exibirá 'John Galliano: Horizons', prevista para maio de 2027. A decisão segue repercussão por declarações racistas e antissemitas; nova mostra será anunciada.
O Costume Institute do Metropolitan Museum teve sua exposição dedicada a John Galliano cancelada nesta segunda, 31, depois da repercussão negativa em torno de declarações racistas e antissemitas do passado do estilista. A mostra, intitulada “John Galliano: Horizons”, estava prevista para inaugurar em maio de 2027, na mesma temporada do Met Gala dirigido por Anna Wintour, e será substituída por outra exposição que será anunciada posteriormente.
Galliano construiu uma carreira de destaque na moda, tendo passado pelos cargos de diretor criativo na Givenchy e na Dior. Contudo, ele foi demitido da Dior quando comentários com teor racista e antissemitas, datados de 2010 e 2011, voltaram ao conhecimento público. Na França, essas falas resultaram em condenação por insultos baseados na origem e na religião.
O estilista voltou ao mercado em 2014, assumindo o posto de diretor criativo na Maison Margiela. Mesmo assim, o anúncio da exposição gerou reação contrária em diversos setores, incluindo membros da comunidade judaica, e reacendeu o debate sobre responsabilidade, memória e o papel de instituições culturais ao prestar homenagens.
“Após discussões ponderadas com John Galliano, decidimos em conjunto não prosseguir com a exposição”, declarou Max Hollein, diretor e CEO do museu.
O anúncio oficial destacou que a decisão ocorreu após conversas entre as partes envolvidas. O plano original colocava Galliano como apenas o terceiro estilista vivo a ter uma mostra individual no Costume Institute, fato que sublinhava a magnitude simbólica da homenagem e também explicava parte das reações intensas que surgiram após a divulgação do projeto.
“Com muita tristeza” — disse Galliano — “esta é a melhor decisão no momento. Permaneço totalmente responsável pela dor causada pelas minhas palavras no passado, em particular pela mágoa que causei às comunidades judaica e asiática, e continuo profundamente arrependido por isso.”
No comunicado, o estilista afirmou que entende que reparação significativa vai além de uma exposição ou reconhecimento institucional, e que é uma responsabilidade contínua demonstrada pela escuta, aprendizado e conduta ao longo do tempo. Ele também afirmou não desejar que o debate em torno de sua figura coloque o Museu em posição difícil ou desvie atenção do trabalho do Costume Institute.
“A decisão de John de pedir ao Museu para adiar a exposição dedicada ao seu trabalho é muito corajosa e demonstra o homem que ele é. Acredito que esta é a decisão certa, e tanto ele quanto o Museu têm meu total apoio”, afirmou Anna Wintour, responsável pelo gala anual.
O caso remete ao episódio de 2011, quando um vídeo em que Galliano aparecia embriagado em Paris e proferia ofensas racistas e antissemitas viralizou. No registro, ele dizia a uma mulher:
“Eu amo Hitler. Pessoas como você estariam mortas. Suas mães, seus antepassados, todos seriam mortos a gás.”
Na sequência, Galliano alegou estar sob influência de álcool e medicamentos controlados e afirmou não lembrar do ocorrido. Ele foi condenado por “insultos públicos baseados na origem, filiação religiosa, raça ou etnia” e teve de pagar um total de 6.000 euros — cerca de R$ 36 mil, na cotação atual do euro — além de indenizações e custas judiciais.
Nos anos seguintes, enquanto estava afastado da vida pública, Galliano se reuniu com líderes judeus e rabinos e recebeu apoio de alguns grupos que acompanharam seu processo de recuperação. Ele também falou publicamente sobre sua luta contra a dependência química e agradeceu aos que o ajudaram em sua sobriedade.
Com o cancelamento confirmado, o Metropolitan Museum indicou que anunciará posteriormente a nova programação do Costume Institute para a temporada de maio de 2027, sem dar detalhes sobre o substituto imediato da mostra originalmente dedicada a Galliano.
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