Hoje, em Las Vegas, o inglês Liam McCracken enfrenta o mexicano Silvestre Sanchez no Dana White's Contender Series, buscando contrato com o UFC. Ele volta após grave acidente que quase lhe tirou a vida.
O lutador inglês Liam McCracken encara na noite de hoje (1 de setembro), em Las Vegas, o mexicano Silvestre Sanchez, pela categoria peso-leve do torneio Dana White’s Contender Series. A competição busca novos talentos do mundo do MMA, com seus vencedores conseguindo contratos com a organização UFC. McCracken vai subir no octógono três anos após ser atropelado por um ônibus e ficar entre a vida e a morte.
A história do atleta de 25 anos começou enquanto ele corria perto de sua casa, na cidade de Liverpool. Segundo relatos, McCracken entrou em uma rua sem verificar se havia veículos se aproximando e foi atingido por um ônibus; ele só viu o veículo no último instante e não conseguiu reagir, sendo arrastado por 18 metros, durante sete segundos. O acidente o deixou com uma lista extensa de lesões graves.
Entre os ferimentos estão quatro fraturas nas costas, duas hérnias de disco no pescoço, três costelas quebradas, uma fratura na pelve, o nariz quebrado, a ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho, lesão no menisco e várias outras contusões. McCracken também sofreu queimaduras provocadas pelo motor do ônibus. Um casal que presenciou o acidente ajudou o motorista do ônibus a resgatar o lutador, que estava inconsciente e sangrando muito.
“Nos primeiros dias, eu não me importava com mais nada além do fato de estar vivo. Tenho uma filhinha e, aparentemente, as pessoas que me encontraram disseram que essa foi a primeira coisa sobre a qual continuei falando quando recuperei a consciência. Eu ficava perguntando pela minha filha enquanto estava no chão, sendo atendido pelas pessoas. O mais importante era que eu estava feliz por estar vivo.”
Antes do acidente, McCracken havia vencido cinco de suas seis lutas como profissional e era apontado como uma futura estrela com futuro no UFC. Após o atropelamento, surgiu a hipótese de que ele precisaria colocar uma haste metálica nas costas, o que poderia encerrar sua trajetória nas lutas. No entanto, exames de raio-X determinaram que o procedimento não seria necessário.
“Foi um longo caminho, com muitos altos e baixos, e, se algumas coisas tivessem acontecido de maneira um pouco diferente ao longo do percurso, eu não estaria de volta às lutas. Foram os seis meses mais longos da minha vida e finalmente comecei a avançar quando precisei passar por uma cirurgia no joelho, que é uma cirurgia enorme. Então, basicamente, tive que começar tudo de novo.”
McCracken passou por várias cirurgias seguidas de horas de fisioterapia e treinamento intenso. Ele voltou a competir quase dois anos após o acidente. O retorno, no entanto, não foi linear: houve recuos e tentativas de acelerar a volta aos treinos antes do tempo, o que o próprio lutador considera erros no processo.
“Foi muito instável, com altos e baixos, e fiz algumas coisas estúpidas, como tentar voltar aos treinos quando ainda não estava pronto. Obviamente, foi uma estupidez, mas a mentalidade que eu tinha era de que não deixaria aquilo me impedir, e foi isso que me permitiu voltar.”
Hoje, além da revanche pessoal contra as consequências do acidente, McCracken entra no Contender Series com a chance clara de conquistar um contrato com o UFC se impressionar. Aos 25 anos e com uma filha, ele busca transformar a recuperação e a luta contra a adversidade em uma nova chance na carreira profissional.

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