Ted Aguilar aponta um paradoxo no metal: músicos mais técnicos do que nunca, mas com menos identidade própria. Para ele, tecnologia e isolamento afastam o 'fator humano' da música.
No universo do metal, a discussão sobre a identidade do gênero é mais atual do que nunca. Ted Aguilar, guitarrista da renomada banda de thrash metal Death Angel, compartilhou suas reflexões sobre o que considera um paradoxo no cenário contemporâneo do metal. Em uma recente entrevista, ele comentou como, apesar da técnica impressionante dos músicos atuais, a originalidade parece estar em baixa.
Aguilar acredita que a tecnologia excessiva e o isolamento na hora de aprender e compor têm impactado negativamente o ‘fator humano’ que é tão essencial para a música. Ele enfatiza que essa não é uma crítica destrutiva, mas sim uma observação sobre como a nova geração tem mantido o metal vivo, embora o mercado esteja se saturando com bandas que soam muito parecidas.
“Não tenho nada contra as bandas de metal de hoje, e o bom disso é que existem muitas delas – talvez até demais às vezes. Elas estão carregando a tocha, mas está saturado. Eu cresci numa época em que o thrash metal, o Anthrax, soava diferente do Overkill, o Death Angel soava diferente do Testament.”
Um dos pontos que Aguilar levantou é que, para ele, a homogeneidade atual não resulta da falta de talento, mas sim da maneira como os músicos se conectam e colaboram. Ele elogiou a nova geração, dizendo que o nível técnico alcançado é de “outro patamar”. Porém, ele lamenta que a conexão entre músicos não é mais a mesma.
“Eu acho que no metal hoje em dia existem alguns músicos incríveis – tipo, meu Deus, eles poderiam nos dar um baile, e são muito talentosos.”
Na visão de Aguilar, a verdadeira essência do metal, que sempre envolveu a descoberta e o aprendizado em conjunto, parece ter se perdido. Ele lembra que, em sua época, os músicos se reuniam para compor e tocar juntos, o que criava um ambiente especial de troca de ideias e aprendizado mútuo.
“Havia algo especial em estar juntos numa sala, com todos aprendendo uns com os outros, trocando ideias. Hoje estão tão acostumados a ficar sozinhos que não sabem como se conectar com outro músico.”
Por fim, ele ressaltou que, embora a tecnologia traga vantagens, como a possibilidade de compor e enviar músicas de forma rápida, nada substitui a sinergia do contato humano. A interação pessoal, que envolve ver as reações e sentimentos dos outros músicos, é algo que não pode ser ignorado no processo criativo.
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