A vitória de Fjord na 79ª edição do Festival de Cannes se destaca não apenas por marcar a segunda Palma de Ouro do diretor Cristian Mungiu, mas também por estabelecer um marco impressionante para a distribuidora NEON, que agora coleciona seu sétimo prêmio consecutivo no festival.
A trajetória da NEON começou em 2019 com o aclamado Parasita e continuou com sucessos como Titane (2021), Triângulo da Tristeza (2022), Anatomia de Uma Queda (2023), Anora (2024) e Foi Apenas Um Acidente no ano passado. Vale lembrar que o festival de 2020 foi cancelado devido à pandemia de Covid-19, mas desde então, a NEON não parou de brilhar no tapete vermelho.
Com essa nova conquista, Mungiu se junta ao seleto grupo de cineastas que conseguiram duas Palmas de Ouro em sua carreira — apenas dez diretores alcançaram essa façanha. Durante seu discurso de agradecimento, ele ressaltou o alto nível da competição e fez uma reflexão sobre a importância dos prêmios.
“O fato de vocês me terem dado este prêmio é maravilhoso para nós e nos sentimos muito felizes, mas precisamos esperar 10, 20 anos para rever esses filmes, e talvez então entendamos quais deles eram realmente bons e conseguiram resistir ao teste do tempo”, afirmou Mungiu.
Mas, afinal, sobre o que fala Fjord? O filme acompanha Mihai (interpretado por Sebastian Stan) e Lisbet Gheorghiu (vivida por Renate Reinsve), um casal conservador que decide deixar a Romênia e se estabelecer na pequena e progressista cidade natal de Lisbet, na Noruega. A trama se complica quando uma professora nota hematomas em uma das crianças e começam a surgir rumores sobre o comportamento dos novos moradores, intensificando a desconfiança local, especialmente devido à origem romena de Mihai. De acordo com o IMDB, a esposa enfrenta uma investigação e o escrutínio do sistema judicial.
Além de Fjord, Cannes 2026 também premiou outras obras notáveis. O Grand Prix, o segundo prêmio mais importante, foi concedido ao thriller político Minotaur, do diretor russo Aandrey Zvyagintsev. O Prêmio do Júri foi para The Dreamed Adventure, da alemã Valeska Grisebach. Na categoria de Melhor Direção, o troféu foi dividido entre Javier Calvo e Javier Ambrossi, por La Bola Negra, e Paweł Pawlikowski, por Fatherland.
Virgine Efira e Tao Okamoto foram as vencedoras do prêmio de Melhor Atriz, enquanto Valentin Campagne e Emmanuel Macchia conquistaram o prêmio de Melhor Ator, ambos pelo filme Coward. O troféu Câmera de Ouro, destinado a diretores estreantes, foi entregue a Marie Clémentine Dusabejambo pelo filme Ben’imana. E não podemos esquecer da Palm Dog, que foi dada à cadela Yuri do longa La Perra, estrelado pelo brasileiro Selton Mello.
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