Dreams of Violets retrata civis iranianos em conflito e foi criado por diretor de Teerã usando apenas inteligência artificial. A produção chega ao festival em junho de 2026.
O Festival de Tribeca está prestes a apresentar um filme que promete surpreender a todos: Dreams of Violets, uma produção inteiramente gerada por inteligência artificial. Com estreia marcada para 10 de junho de 2026, o longa dramatiza as dificuldades enfrentadas por civis iranianos em um contexto de invasão dos Estados Unidos e Israel ao Irã neste ano.
Dirigido por Ash Koosha, um cineasta originário de Teerã que deixou o país em 2009, o filme tem uma duração de 75 minutos e foi produzido com um orçamento de apenas US$ 2.000. Para criar a obra, Koosha utilizou diversos serviços de IA para a geração de vídeo, edição de linguagem, pesquisa e imagens, em parceria com seu irmão, Pooya.
“Eu entendo que um filme gerado por IA sobre pessoas que realmente morreram levanta questões difíceis”, afirmou Koosha em um comunicado. “Pensei nessas questões a cada minuto de cada dia em que trabalhei neste filme. Minha resposta é que a alternativa — o silêncio, o esquecimento, o desfecho preferido do regime — é pior. O filme existe porque os mortos merecem ser testemunhados e porque as famílias dentro do Irã, que não podem falar, merecem alguém de fora que se recuse a esquecer.”
O trailer do filme apresenta um menino, Amir, que está em uma cadeira de rodas devido à paralisia cerebral, enquanto um membro da família lhe conta que violetas crescem no escuro. A tensão aumenta fora de casa, com grupos de pessoas se reunindo em motocicletas. Paralelamente, a trama segue uma mulher que é aconselhada pela família a não sair de casa. Em uma cena impactante, um homem cai de um prédio, enquanto a repressão militar se intensifica contra manifestantes. O clímax do filme gira em torno de cinco pessoas que estão prestes a ser executadas em um beco, com Amir como testemunha. Os efeitos da IA são sutis, mas dão ao filme uma aparência realista, resultado de três meses de intenso trabalho por parte de Koosha.
A narrativa do filme é inspirada nos protestos que começaram em janeiro, que resultaram na morte de pelo menos 7.000 pessoas e na prisão de mais de 50.000, segundo a Human Rights Activists News Agency.
Jane Rosenthal, cofundadora do Tribeca, destacou que o filme é “um exemplo poderoso de como tecnologias emergentes como a IA podem ser usadas não apenas como ferramentas de inovação, mas como veículos para uma narrativa profundamente humana”.
A crescente presença da IA em Hollywood levanta questões éticas importantes, especialmente após a digitalização do ator Val Kilmer para o filme As Deep as the Grave. Além disso, a Academia tem implementado novas restrições sobre a utilização da IA em filmes que concorrem ao Oscar.
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