O tema do suicídio é delicado e muitas vezes evitado, mas é crucial discutir sobre ele, principalmente entre os jovens. Ignorar o assunto não impede que jovens cometam suicídio, e as estatísticas mostram que muitos casos poderiam ser evitados com identificação e tratamento precoce do sofrimento emocional.
Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade Federal de Sergipe (UFS) entrevistou 12 jovens, entre 14 e 19 anos, atendidos em serviços públicos de saúde mental em São Paulo. O objetivo era compreender os fatores que levam adolescentes a tentarem o suicídio. Os principais motivos apontados foram bullying, negligência emocional, discriminação, autolesão, além de sintomas de ansiedade e depressão.
“A incapacidade de compreender a origem das emoções como raiva, desespero, angústia, tristeza e de não ter estratégias para regulá-las quando surgiam contribuiu para a tentativa de suicídio. A tentativa de suicídio é o esforço desesperado para ter o controle do comportamento e das emoções diante da realidade imposta aos adolescentes”, aponta a pesquisa.
A enfermeira Rafaela Lima Monteiro, pesquisadora da UFS e coautora do estudo, explicou que muitas tentativas, por serem de baixa letalidade, não chegam aos serviços de saúde. Isso torna o sofrimento invisível e sem o devido cuidado.
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Os jovens relataram que, ao tentarem comunicar suas dificuldades, suas preocupações não foram reconhecidas como pedidos de ajuda por familiares ou professores. Isso levanta a questão de como identificar sinais de risco de suicídio, que muitas vezes são mal interpretados ou não percebidos.
Os pesquisadores também observaram que a autolesão é um sinal frequente antes das tentativas de suicídio. Reconhecer esse comportamento como um alerta de sofrimento psíquico é fundamental, ao invés de ser tratado apenas como um comportamento a ser corrigido.
O psiquiatra Thiago Andrade Pedrosa, especialista em infância e adolescência, destaca a importância de escutar os adolescentes sem julgamentos, e a necessidade de buscar ajuda profissional rapidamente. “Falar sobre suicídio não incentiva o suicídio. Isso é um mito. A primeira coisa é levar o sofrimento do adolescente a sério”, afirma o médico.
Se você ou alguém que conhece está sofrendo, entre em contato com o CVV pelo número 188 ou acesse www.cvv.org.br para apoio emocional.
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