Nos últimos dez anos, a popularização de redes sociais como YouTube, Instagram e Rate Your Music trouxe uma nova luz para artistas que antes estavam nas sombras do underground. Essa mudança significou uma nova fase para várias bandas, especialmente para um gênero que vem ganhando destaque: o math rock. Este estilo musical se tornou uma verdadeira febre entre a geração Z, com jovens artistas adotando seus elementos e uma infinidade de canais no YouTube dedicados a explicar o estilo para um público cada vez maior.
Mas, afinal, o que caracteriza o math rock? Vamos explorar!
Uma das principais características do math rock é a ênfase menor nos vocais. Muitos dos artistas desse gênero são estritamente instrumentais, focando em arranjos que dão destaque à bateria, em vez da guitarra e do baixo. Essa abordagem rítmica é um dos pilares do estilo. Além disso, o math rock é conhecido por seus compassos ímpares, polirritmos e batidas complexas.
Os músicos desse gênero frequentemente utilizam afinações alternativas, acordes estendidos e técnicas de tapping para criar melodias incomuns, onde a dissonância é um elemento essencial. Outro aspecto interessante é o uso de loops ao vivo, que permitem a construção de camadas densas de som, favorecendo a improvisação com influências do jazz.
Ao falarmos sobre a pré-história do math rock, é importante lembrar que os criadores do punk e hardcore não se limitavam apenas a esses estilos. Muitos deles eram influenciados por gêneros variados, como reggae no Reino Unido e folk, rock progressivo e jazz nos Estados Unidos. Um exemplo disso é o Black Flag, que incorporou tempos swingados em suas músicas, refletindo a influência do jazz.
Embora sua sonoridade seja marcada por agressividade, a banda também se aventurou em peças mais experimentais, como no EP instrumental The Process of Weeding Out. Essa liberdade criativa encorajou uma nova geração de músicos a explorar diferentes sonoridades.
Os anos 1980 também foram marcados pelo retorno do King Crimson, que trouxe um som renovado, influenciado por gamelan, um estilo da Indonésia que foca em polirritmia. Álbuns como Discipline e Beat se tornaram referências para muitos músicos que vieram depois.
É interessante notar que bandas que hoje são consideradas precursoras do math rock, como o Slint, eram vistas como parte de outros subgêneros na época. O Slint, por exemplo, começou a se destacar no final dos anos 1980 com seus álbuns influentes, mas a sua verdadeira relevância para o math rock só foi reconhecida posteriormente.
O termo math rock, aliás, surgiu de maneira inusitada. Em uma entrevista, Matt Sweeney, do Chavez, revelou que um amigo criou o termo como uma piada, referindo-se a uma banda que utilizava tempos incomuns. Com o tempo, artistas dos anos 1990 começaram a ser categorizados como math rock, embora na época fossem mais associados a outros estilos como noise rock e post-rock.
Nos anos 2010, surgiu uma nova onda de artistas que abraçaram o math rock, como Delta Sleep e Tricot, que ajudaram a solidificar o gênero. Vale destacar a importância do Japão na cena, que se mostrou rica em talentos e inovações nesse estilo.
Entre as bandas mais notáveis do math rock estão o Don Caballero, que incorporou polirritmos ao seu som com influências do King Crimson, e o Slint, que, apesar de sua trajetória curta, deixou um legado imenso na música experimental.

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