Um quadro de dor e inchaço na testa levou à descoberta de uma infecção óssea grave na filha de seis anos de Paula Falbo, viúva do atleta olímpico Pampa, que morreu em junho de 2024. Após exames de imagem e avaliação de um neurocirurgião, a criança foi diagnosticada com osteomielite e passou por cirurgia de emergência. O procedimento correu bem, mas a menina segue internada e, segundo a mãe, deve permanecer no hospital por mais cinco semanas.
Dois semanas antes da internação, Paula havia levado a filha a um pronto-socorro, onde não foi identificada sinusite. Os médicos teriam tratado o caso como infecção bacteriana com base em alteração no exame de sangue e prescreveram antibiótico oral por 10 dias. Três dias após finalizar o tratamento, um inchaço na testa apareceu, fazendo com que a família retornasse ao atendimento de emergência.
Em entrevista à Quem, a otorrinolaringologista Cristiane Passos Dias Levy, do Hospital Paulista, explicou em que circunstâncias a sinusite deixa de ser um problema comum e passa a representar risco. Segundo a especialista, a maioria dos casos é viral e tende a melhorar em 7 a 10 dias com repouso, hidratação e lavagem nasal; os casos bacterianos podem precisar também de antibiótico oral. O risco maior ocorre quando a infecção ultrapassa os seios da face e atinge estruturas vizinhas, como olhos, ossos do crânio e cérebro.
Sinais de alerta e condutas
Cristiane Passos destaca que sinais como inchaço ou vermelhidão ao redor do olho, queda de pálpebra, desvio ocular, visão dupla ou embaçada podem indicar celulite orbitária, considerada emergência por risco real de perda da visão. Dor de cabeça intensa, que piora ao deitar e vem acompanhada de vômitos, confusão mental, sonolência excessiva ou rigidez na nuca pode sugerir comprometimento das meninges ou abscesso cerebral — nesses casos, a recomendação é acionar o serviço de emergência (192).
A médica também chama atenção para febre alta (acima de 38,5°C) que retorna depois de alguns dias, a chamada “dupla piora”, e para sintomas que persistem por mais de 10 dias ou pioram após o quinto dia. Inchaço na testa pode significar osteomielite do osso frontal, outra condição que exige avaliação rápida.
Grupos mais vulneráveis e complicações
Segundo a otorrinolaringologista, pessoas com diabetes descompensado, imunossupressão por quimioterapia, uso de corticoides de alta dose, HIV ou transplante têm maior risco de complicações — incluindo mucormicose. Crianças pequenas são mais suscetíveis a complicações orbitárias devido à fragilidade óssea.
O que evitar no tratamento caseiro
Cristiane Passos enumera práticas que podem agravar a condição: uso de antibiótico sem prescrição, inalação com vapor muito quente, aplicação de remédios caseiros no nariz (alho, própolis, óleos essenciais, água oxigenada), uso prolongado de descongestionantes nasais (>3 dias), assoar o nariz com força, lavagem nasal com água de torneira ou dispositivo não higienizado, e uso de corticoide oral sem indicação médica. A especialista ressalta que tratamento inadequado pode facilitar a propagação da infecção e aumentar o risco de complicações graves.
Medidas seguras em casa e prevenção infantil
Entre as medidas consideradas seguras, ela indica lavagem nasal com soro fisiológico 0,9% morno, hidratação, analgésicos comuns (dipirona ou paracetamol) e compressas mornas. Para prevenção em crianças, recomenda-se lavagem nasal regular, tratamento adequado da rinite alérgica (com spray nasal de corticoide quando indicado), avaliação da adenoide em casos recorrentes e manutenção de ambiente sem mofo e ácaro. Vacinação em dia, incluindo gripe, pneumocócica e Hib, também reduz o risco de complicações bacterianas.
Cristiane Passos ressalta que sinais como olhos inchados, inchaço na testa, dor intensa que derruba, vômitos, sonolência ou confusão não devem ser ignorados: nesses quadros, o atendimento em pronto-socorro é indicado imediatamente. O otorrino é o especialista habilitado a solicitar tomografia e decidir por antibiótico intravenoso ou drenagem cirúrgica quando necessário.
O caso da menina de seis anos da família de Pampa reforça que, embora a sinusite frequentemente seja autolimitada, a progressão para estruturas adjacentes pode levar a situações de emergência que exigem diagnóstico e tratamento rápidos.
Com informações de Revistaquem.globo
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