Mesmo sem registrar casos de Ebola em seu território, o Brasil decidiu adotar medidas preventivas para evitar a entrada do vírus no país. No dia 26 de maio, o Ministério da Saúde acionou o Plano Nacional de Contingência para Febres Hemorrágicas Virais, em resposta ao avanço do surto na África Subsaariana.
O alerta foi intensificado após a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmar que a epidemia já se espalhou por dez países da região africana, sendo a República Democrática do Congo o principal foco, onde a cepa Bundibugyo do vírus está circulando.
De acordo com dados da OMS até 21 de maio, o Congo registrou 746 notificações suspeitas e 220 mortes relacionadas ao Ebola, tornando-se o centro da atual emergência sanitária.
“A vigilância epidemiológica será reforçada, especialmente em viajantes provenientes de áreas afetadas”, afirmou um porta-voz do Ministério da Saúde.
Entre as ações do governo brasileiro, está a identificação precoce de possíveis infectados e o isolamento imediato de casos suspeitos. Além disso, o rastreamento de pessoas que tiveram contato com pacientes é parte da estratégia. Um protocolo estabelece que, diante de suspeita clínica, um novo exame de sangue deve ser realizado 48 horas após a primeira coleta, mesmo que o resultado inicial seja negativo.
A versão mais recente do plano, atualizada em 2024, não prevê o fechamento de fronteiras ou a suspensão de viagens e atividades comerciais. Um ponto considerado favorável é a ausência de voos diretos entre o Brasil e as regiões afetadas, diminuindo assim o risco de entrada do vírus.
Embora a OMS tenha declarado uma emergência de saúde pública de interesse internacional, especialistas destacam que a situação atual não é comparável ao início da pandemia de Covid-19. Fora do continente africano, a possibilidade de disseminação do Ebola é considerada baixa.
O surto já resultou na morte de três voluntários brasileiros da Cruz Vermelha, mas especialistas afirmam que o risco de transmissão no Brasil continua reduzido, principalmente devido à falta do principal vetor natural do vírus — os chimpanzés em ambiente selvagem, que no Brasil estão restritos a zoológicos.
O Ebola é uma doença grave e rara causada por um vírus letal. A infecção geralmente começa em animais, especialmente morcegos frugívoros, e pode ser transmitida aos humanos pelo contato ou consumo de animais contaminados. Os sintomas iniciais podem ser semelhantes aos de uma gripe, como febre, dores no corpo e fadiga intensa, podendo evoluir para vômitos, diarreia e sangramentos internos.
A atual epidemia envolve a variante Bundibugyo do Ebola, uma cepa não registrada há mais de uma década. Estudos estão em andamento para desenvolver vacinas e tratamentos, mas atualmente não há vacina aprovada para essa variante. Além disso, a epidemia ocorre em uma área afetada por conflitos armados, o que complica ainda mais a resposta e o controle da doença.




Fonte: Portal Léo Dias
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