Rio de Janeiro (RJ) – A cantora baiana Assucena e o violonista paulista João Camarero levaram ao palco do Clube Manouche, na noite de 15 de agosto de 2025, a primeira de duas apresentações dedicadas a reverenciar o repertório da música popular brasileira.
O concerto, ainda em processo de lapidação segundo a própria intérprete, nasce como desdobramento da performance realizada pelos dois em junho, dentro de um projeto do Sesc São Paulo, cujo roteiro se baseou no álbum “À Flor da Pele” (1991), que uniu Ney Matogrosso e Raphael Rabello.
Medley instrumental abre a noite
Sozinho no palco, Camarero iniciou o espetáculo com um medley de afrosambas de Baden Powell e Vinicius de Moraes: “Canto de Ossanha” (1966), “Berimbau” (1963) e “Consolação” (1963). A execução, marcante pela precisão técnica, reafirmou o violonista como herdeiro do legado de Baden e de Raphael Rabello.
Assucena entra em cena
A cantora assumiu o microfone em “Retrato em Branco e Preto” (Antonio Carlos Jobim e Chico Buarque, 1968) e, a partir daí, percorreu um repertório exigente sem “rasteiras melódicas”, expressão usada por ela durante a apresentação.
Entre os pontos altos estiveram:
- “Modinha” (Jobim e Vinicius, 1958), antecedida por trecho do “Prelúdio nº 3” (Heitor Villa-Lobos, 1940);
- “Duas Contas” (Garoto, 1951);
- “O Mundo é um Moinho” (Cartola, 1976);
- “Nuvem Negra” (Djavan, 1993);
- “Tu Me Acostumbraste” (Frank Domínguez, 1933);
- “Na Baixa do Sapateiro” (Ary Barroso, 1938), com citação de “Baião” (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, 1946);
- “No Rancho Fundo” (Ary Barroso e Lamartine Babo, 1931) e “Tristeza do Jeca” (Angelino de Oliveira, 1922), que emocionaram o público.
Intervenções vocais de Camarero
Além do violão, Camarero soltou a voz em “Trocando em Miúdos” (Chico Buarque e Francis Hime, 1977). A sequência dialogou com “Olhos nos Olhos” (Chico Buarque, 1976), interpretada por Assucena, e “Negue” (Adelino Moreira e Enzo Almeida Passos, 1960).
Imagem: Mauro Ferreira via g1.globo.com
Final e bis
“Balada do Louco” (Arnaldo Baptista e Rita Lee, 1972) encerrou o repertório oficial, com coro entusiasmado vindo das mesas do clube. No bis, Camarero apresentou “Sétimo Drink”, parceria inédita com Paulo César Pinheiro prevista para 2025, e Assucena concluiu com “Pó de Vidro”, também de Camarero e Pinheiro.
Com sintonia evidente entre voz e violão, a dupla deixou o palco sob aplausos calorosos, reforçando a expectativa de que o projeto ganhe novas datas e circule por outras cidades.
Com informações de g1.globo.com
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