Anistia criou trauma coletivo no Brasil, afirma o cineasta Kleber Mendonça Filho, 56 anos, ao explicar por que seu novo filme, “O Agente Secreto”, mergulha nas feridas abertas da ditadura militar.
Escolhido como representante brasileiro na corrida por uma vaga no Oscar, o longa é descrito pelo diretor como um thriller que evita respostas fáceis e escancara a relação fragmentada do país com a própria história.
Anistia criou trauma coletivo no Brasil, diz diretor
Em entrevista ao portal Poder360, Mendonça recordou a Lei da Anistia de 1979, marco que deveria promover reconciliação, mas que, segundo ele, fomentou um “apagão” de documentos, memórias e experiências pessoais. “Tentaram fazer uma faxina na experiência do regime militar; isso não foi bom de jeito nenhum”, declarou.
O cineasta compara a lacuna brasileira à vivida pela Espanha, que ainda convive com sombras do franquismo. Para ele, “O Agente Secreto” ultrapassa o suspense tradicional e se transforma em comentário sociopolítico sobre o desafio de nações em encarar seus fantasmas.
Mendonça rejeita a ideia de narrativa de superação. O filme, segundo ele, funciona como constatação amarga de que a memória nacional permanece esfacelada e incômoda, tema que promete gerar debate doméstico sobre identidade e lembrança histórica.
O impacto já repercute no exterior: após exibição no Festival de Telluride, a produção foi elogiada em publicações como a Variety e a Hollywood Reporter, que listaram o título entre possíveis candidatos do Brasil em categorias de peso na premiação.
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Crédito da imagem: Pascal Le Segretain/Getty Images
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