O lançamento da série documental A Mulher da Casa Abandonada no Prime Video, nesta sexta-feira (15), volta a iluminar um nome que permaneceu nos bastidores do escândalo: Renê Bonetti. Engenheiro de formação e ex-marido de Margarida Bonetti, ele foi condenado nos Estados Unidos por manter a empregada doméstica Hilda Rosa dos Santos em condições análogas à escravidão por cerca de 20 anos.
Denúncia e processo nos EUA
Levado à Justiça norte-americana no fim dos anos 1990, Bonetti enfrentou um júri popular enquanto Margarida já estava de volta ao Brasil. A promotoria acusou o casal de manter Hilda em um porão sem banheiro nem janelas, além de submetê-la a agressões físicas. Como a legislação da época não previa tipificação direta de escravidão moderna, Renê respondeu por abrigar uma imigrante de forma ilegal.
Considerado culpado, o engenheiro recebeu pena de seis anos e meio de prisão e multa de US$ 110 mil. A juíza responsável aumentou a sentença após concluir que ele prestou falso testemunho. O caso ainda serviu de base para a aprovação da Lei de Proteção das Vítimas de Tráfico e Violência nos EUA.
Vida após a prisão
Em liberdade, Renê Bonetti reconstruiu sua trajetória. Ele divorciou-se de Margarida, voltou a se casar, teve outro filho e segue morando em território norte-americano. Segundo a CNN, atua atualmente como diretor em uma empresa. Não há imagens recentes divulgadas do engenheiro.
Contraste com Margarida e a situação de Hilda
Enquanto Renê tocou a vida, Margarida vive reclusa em uma mansão deteriorada no bairro de Higienópolis, em São Paulo, avaliada em R$ 8 milhões. Ela nunca respondeu à Justiça norte-americana porque não renunciou à cidadania brasileira, o que impede sua extradição.
Hilda Rosa dos Santos pôde escolher permanecer nos Estados Unidos. Ela recebeu abrigo, um visto de residência e decidiu ficar, contanto que não fosse obrigada a voltar para São Paulo.
Imagem: tangerina.uol.com.br
Repercussão no Brasil
O podcast de Chico Felitti, lançado em 2022, popularizou o caso no país e gerou um aumento de 67% nas denúncias de trabalho doméstico análogo à escravidão registradas pelo Ministério Público do Trabalho. Agora, a série do Prime Video aprofunda o enredo com novos depoimentos e documentos.
Renê, que em entrevista telefônica ao Domingo Espetacular (Record) afirmou ter “perdido emprego, casa, tudo”, diz não atribuir culpa a Margarida: “A responsabilidade foi minha porque mantive a Hilda lá”, declarou em 2022.
Com a exibição do documentário, a história volta ao centro das atenções, relembrando o papel de todos os envolvidos e o desfecho de Renê Bonetti, hoje longe dos holofotes, mas ainda nos Estados Unidos.
Com informações de Tangerina
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