Produções inspiradas em crimes reais se transformaram em atração obrigatória nos principais serviços de streaming no Brasil. Nos últimos dias, a HBO Max colocou a série documental “O Assassinato do Ator Rafael Miguel” no topo do ranking dos conteúdos mais vistos, enquanto o Prime Video estreia nesta sexta-feira (15) “A Mulher da Casa Abandonada”, baseada no podcast de mesmo nome.
Estrutura de ficção aplicada à vida real
Para o roteirista Guilherme César, que trabalhou em “PCC: O Poder Secreto” e no próprio “O Assassinato do Ator Rafael Miguel”, o segredo está em usar recursos típicos da dramaturgia — construção de personagem, viradas de roteiro, clímax e resolução — em histórias verídicas. “O gênero mobiliza o público porque proporciona catarse e reflexão sobre justiça e condição humana”, explica.
Entretenimento sem perder a ética
Tainá Muhringer Tokitaka, roteirista de “A Mulher da Casa Abandonada” e “Caso Evandro”, destaca o equilíbrio delicado entre narrativa envolvente e responsabilidade. “O maior desafio é manter o entretenimento sem perder a bússola ética, porque por trás de todo crime existem pessoas e dores reais”, afirma.
Público majoritariamente feminino
Na avaliação de Adriana Ceccheti, diretora sênior de produção de conteúdos de não ficção da WBD Brasil, as séries de true crime atraem sobretudo mulheres, interessadas em entender a mente criminosa e aprender a se proteger. “Não buscamos o crime pelo crime, mas casos que provoquem discussão na sociedade”, diz.
Emoção como diferencial
Diretor de “Pacto Brutal: O Assassinato de Daniela Perez” e “Bateau Mouche: O Naufrágio da Justiça”, Guto Barra lembra que o fascínio do brasileiro por crimes não é novidade. Para ele, a contribuição do formato atual está na combinação de fotografia, trilha sonora e depoimentos íntimos: “O desafio é fazer as pessoas se abrirem emocionalmente, algo ainda difícil no Brasil”.
Imagem: Reprodução Instagram via uol.com.br
Enquanto a segurança pública permanece a principal preocupação dos brasileiros, especialistas acreditam que o interesse pelos relatos de crimes reais continuará crescendo — impulsionado pelo sentimento de insegurança e pelo apelo melodramático desse tipo de história.
Com informações de UOL Splash
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