Faz três anos desde que Victoria Monét dançou direto para o coração do público e para o palco do Grammy com seu álbum de estreia, Jaguar II. Agora, ela está pronta para mergulhar de vez em sua próxima era: Frequency of Love chegou nesta sexta-feira (2), pelas gravadoras Lovett Music e RCA Records, e traz uma lista de participações que inclui SZA, Bruno Mars, Bryson Tiller, Leon Thomas, Chlöe, Lucky Daye e a própria filha de Monét, Hazel Monét, de cinco anos.
Reunindo de novo o produtor de longa data D’Mile, além de Camper e Kaytranada, Victoria Monét entrega um disco de estúdio sofisticado: são 22 faixas que combinam cordas dramáticas e sintetizadores pulsantes para explorar as múltiplas faces do amor — em contextos sexuais, familiares e até sobrenaturais. A obra flerta com ecos da house music e encontra na luz do gospel um de seus guias, mantendo o R&B como núcleo inabalável.
Frequency of Love se distancia da abordagem mais metálica e de sopros em destaque que marcou a era Jaguar. Essa mudança já havia sido anunciada pelos singles: “Let Me”, que liderou o Adult R&B Airplay por três semanas, e “Reach Out”, que deu sequência ao trabalho de Kaytranada presente em “Alright”, lançado em 2024. Dentro do álbum, as faixas ganham ainda mais vibração, servindo como peças de um universo sonoro cuidadosamente pensado por Monét e D’Mile.
A sequência das canções foi construída com atenção ao fluxo: a sedutora “Single”, com Bryson Tiller, transita de forma natural para as pulsações provocantes de “Reach Out”. Em seguida, as reflexões sobre um amor perdido em “See You In My Dreams”, com SZA, se transformam organicamente na energia marital do dueto arrebatador “That’s Why I Love You”, com Bruno Mars. Apesar da duração generosa, o álbum dispensa o rótulo de “segunda prova difícil” — uma resposta clara ao disco de estreia vencedor de três Grammys.
Mais do que um catálogo de canções, Frequency of Love funciona como uma carta de amor à amplitude da música negra: dialoga com tradições que vão do gospel à Motown e à house, e cita, em espírito, canções que moldaram o R&B — de “Almost Doesn’t Count”, de Brandy, a “In My Bed”, do Dru Hill, passando por “All the Things (Your Man Won’t Do)”, de Joe, e até por referências internacionais como “Ritornerai”, de Bruno Lauzi. Esse diálogo com a história e com o zeitgeist faz do álbum um trabalho que soa ao mesmo tempo atemporal e atual.
Depois de encerrar sua participação como atração de abertura na Romantic Tour de Bruno Mars — turnê de estádios que a levou a grandes platéias — Victoria Monét se prepara para sua própria turnê como atração principal. Frequency of Love aparece, assim, como o próximo capítulo de uma carreira que segue expandindo tanto em ambição sonora quanto em alcance artístico.



