Após Macklemore desafiar Kraft a igualar US$1 mi ao povo palestino, o dono do Gillette Stadium disse que Ed Sheeran pediu a ele compromisso de US$2 mi. Kraft afirmou que o pedido visava ajudar a região.
Pouco depois de Macklemore desafiar Robert Kraft — proprietário do Gillette Stadium — a igualar sua doação de US$ 1 milhão a organizações que apoiam o povo palestino, Kraft respondeu afirmando que Ed Sheeran já havia lhe solicitado um compromisso financeiro maior antes do episódio com o rapper. Segundo o comunicado divulgado na quarta-feira (16), Sheeran teria pedido a Kraft que se comprometesse com US$ 2 milhões para igualar a doação dele, com objetivo de ajudar a região a enfrentar a crise humanitária.
“Dediquei grande parte da minha vida a construir pontes entre todas as pessoas. Acredito profundamente que todas as vidas merecem ser protegidas. Mais cedo hoje, antes de Macklemore me desafiar a igualar sua doação, Ed me ligou e pediu que eu comprometesse US$ 2 milhões para igualar a doação dele, visando ajudar a região a enfrentar essa crise humanitária. Ed agora planeja entrar em contato com outros proprietários de locais de eventos, e nosso objetivo é continuar trabalhando juntos para construir pontes.”
Kraft ainda afirmou no comunicado que apoia iniciativas que criam oportunidades para palestinos e promovem encontros entre jovens palestinos e israelenses voltados para empreendedorismo, geração de empregos e construção de relacionamentos. No entanto, o bilionário não especificou se ou quando destinaria os US$ 2 milhões nem quais organizações seriam beneficiadas por esse eventual repasse.
Do outro lado, Macklemore informou que doaria US$ 1 milhão — valor correspondente aos seus ganhos líquidos com a turnê de Sheeran — a seis organizações de apoio aos palestinos. As entidades apontadas pelo rapper foram listadas explicitamente como beneficiárias.
Organizações beneficiárias citadas por Macklemore
- Palestine Children’s Relief Fund
- HEAL Palestine
- Gaza Soup Kitchen
- Medical Aid for Palestinians
- UNRWA USA National Committee
- Anera
A controvérsia envolvendo a turnê teve início depois que Macklemore foi retirado da programação de abertura da Loop Tour nos Estados Unidos, em função de declarações de apoio aos palestinos feitas durante apresentações no MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos dias 4 e 5 de setembro. Naqueles shows, ele teria incluído a frase “Palestina Livre” e interpretado a música “Hind’s Hall”, lançada em 2024, mostrando imagens que criticavam os atos do governo de Israel em Gaza.
Em comunicado divulgado na segunda-feira (14), a promotora da turnê explicou que foi notificada pelos locais que sediariam as próximas datas nos EUA de que não permitiriam a realização de um show com Macklemore na programação, o que resultaria no cancelamento da turnê e prejudicaria grande parte do público. O texto da promotora dizia:
“Fomos notificados pelos locais que sediariam as próximas datas da turnê nos EUA de que eles não permitiriam a realização de um show com Macklemore na programação, o que resultaria no cancelamento da turnê e afetaria centenas de milhares de fãs. Após discussões com as partes interessadas, Macklemore não se apresentará nas datas restantes como atração de abertura.”
Macklemore afirmou que sua retirada ocorreu após Kraft ter ameaçado cancelar os próximos shows de Sheeran no Gillette Stadium caso ele permanecesse na escalação, além de ter mobilizado proprietários de outros estádios. Em resposta, Kraft alegou que Macklemore tinha um histórico de retórica e imagens que foram consideradas profundamente ofensivas e dolorosas para a comunidade judaica, e que permitir sua apresentação no Gillette Stadium teria ultrapassado um limite.
“No entanto, há espaço para múltiplas abordagens em prol do mesmo objetivo: a paz. Escolho usar minha fama e minha plataforma para oferecer um lugar de segurança e refúgio, para manter a diplomacia e conservar as conversas abertas, em vez de fechá-las.”
Sheeran publicou esse posicionamento ao comentar a situação e disse ter passado a semana tentando dialogar com estádios e com ativistas de ambos os lados. Em meio à polêmica, outras atrações de abertura da turnê — incluindo Aaron Rowe, Finneas e Lukas Graham — desistiram e publicaram declarações de apoio à defesa feita por Macklemore.
O conflito público também trouxe menções a avaliações internacionais sobre a violência em Gaza: as Nações Unidas têm classificado as ações em Gaza como genocídio, posicionamento que foi negado por Israel e por seu aliado próximo, os Estados Unidos. O Ministério da Saúde de Gaza informou que, até julho, mais de 73 mil palestinos haviam morrido em decorrência dos ataques, além de haver ampla perda de moradia, deslocamento forçado e insegurança alimentar.
Um representante do The Kraft Group não respondeu de imediato a solicitações por esclarecimentos sobre se e onde Kraft destinaria esses recursos.

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