Em entrevista rara, a ex-noiva do cantor relembra os dias finais, marcados por fragilidade física e o assédio intenso da imprensa. Ela descreve o sofrimento e a sensação de ser caçada pelos tabloides.
Freddie Mercury faleceu por complicações da Aids, em 1991, depois de um período marcado pela fragilidade física e pela atenção intensa da mídia. Sua ex-noiva, Mary Austin, estava presente nos últimos momentos do cantor e, em uma rara entrevista, relembrou cenas que mostram tanto a vulnerabilidade dele quanto o clima de hostilidade que cercou aqueles dias.
Mary contou que, além do sofrimento físico, havia um desgaste emocional provocado pelo assédio dos tabloides. Ela recordou a sensação de que a imprensa se comportava como caçadora à espera de qualquer sinal de desgraça, e que isso acabou moldando parte da vida de Freddie naqueles meses finais.
“A mídia britânica teve um impacto enorme e esculpiu o jeito que ele viveu sua vida. Eu lembro que uma moto veio coletar um rolo de filme. O entregador perguntou se havia alguma notícia e alguém gritou: ‘Não, ele não morreu ainda’. Estavam esperando que nem abutres. Eles esperavam ele ter consultas médicas, que precisava sair de casa. Freddie precisava usar sósias. Coisas ficaram caóticas.”
Além desse retrato do cerco midiático, Mary falou também sobre o cuidado e as limitações físicas que marcaram as últimas semanas. O cantor chegou a recusar contato com o afilhado dela por medo de transmissão, um reflexo do desconhecimento e do estigma que acompanharam a doença naquela época. Em contrapartida, houve momentos íntimos entre os dois que ficam na lembrança de quem acompanhou aqueles dias.
“Eu estava segurando sua mão. Ele estava sob efeito de morfina, entrando e saindo de consciência até pegar no sono. Eu fiquei ali por um tempo até ele acordar novamente e ele fala: ‘Minha velha fiel’. Eu me senti um pouco como um cachorro. Não fiquei lisonjeada.”
Mary também disse que Freddie nunca havia declarado amor por ela em palavras diretas; o sentimento, segundo ela, era transmitido por gestos e presentes. E mesmo com essa ausência de declarações explícitas, ela mantém uma lembrança afetiva forte: para Mary, Freddie foi o amor da sua vida.
A conversa ainda trouxe curiosidade sobre uma música emblemática: apesar das associações públicas e do momento emocionante no primeiro Rock in Rio, em 1985, Mary esclareceu que “Love of My Life” não é sobre ela. Ainda assim, isso não abalou a relação afetiva que ela preserva em memória ao vocalista.
Essas lembranças de Mary Austin pintam um retrato complexo de Freddie Mercury nos seus últimos dias — um homem reconhecido por sua grandeza no palco, mas que sofreu, de forma privada, com a doença, com o assédio e com as limitações físicas. As palavras e os gestos que ela dividiu mostram uma intimidade discreta e, ao mesmo tempo, revelam como a fama pode transformar os momentos mais delicados em espetáculo.

Siga a Casa das Fofocas e receba as novidades de famosos, TV e cinema em primeira mão.




