J Balvin virou furacão no North Sea Jazz, eletrizando plateia e crítica. Hoje ele traz a mesma energia ao Rock in Rio, confirmando seu poder de atração.
Uma das qualidades de Curaçao — além das praias e da paisagem — é que, ao contrário de outras ilhas do Caribe, ela supostamente estaria fora da rota dos furacões. O “supostamente” é necessário porque, de tempos em tempos, o local é assolado por autênticos fenômenos da natureza. J Balvin, astro do reggaeton, é um deles: sua apresentação no North Sea Jazz Festival no sábado passado foi um furacão, um ciclone de proporções bíblicas, e essa mesma energia se repete hoje no Rock in Rio.
Para quem passou a última década em Marte, aqui vai uma rápida biografia: José Álvaro Osório Balvín nasceu em Medellín, Colômbia, e construiu um currículo que impressiona. São 35 milhões de discos vendidos no mundo, onze Billboard Latin Music Awards, seis Grammys Latino e quatro indicações ao Grammy americano. Ele foi o primeiro artista latino a se tornar headliner do Coachella, do Tomorrowland e do Lollapalooza — festivais que funcionam como termômetros do que é relevante no mercado internacional.
A especialidade de Balvin é o reggaeton, um gênero que nasceu do cruzamento do reggae eletrônico jamaicano (raggamuffin) com batidas eletrônicas. Embora o epicentro moderno do estilo seja Porto Rico — com nomes como Daddy Yankee e Bad Bunny —, a Colômbia tem exportado grandes astros da nova batida, como Maluma e Karol G. Nos últimos tempos, Balvin participou de colaborações com artistas de diferentes áreas: Pharrell Williams e Beyoncé, por exemplo, incorporaram elementos da sua estética vocal em singles e remixes.
No palco, Balvin costuma prescindir de banda tradicional. Ele leva um DJ para disparar os beats eletrônicos, um rapper para reforçar os vocais e uma legião de dançarinos que transformam o set em espetáculo. No North Sea Jazz, ele atraiu o maior público das três noites do festival, algo que se explica tanto pela força do nome quanto pela consagração do reggaeton como principal gênero da atualidade em países de língua espanhola — e também no Brasil, onde chegou com artistas como Wanessa, Claudia Leitte e Anitta.
Outra chave do sucesso é a valorização da latinidade: parte do público se identifica porque ele é o latino que “chegou lá”, aquela figura que representa um sonho de visibilidade. Balvin fala com frequência do orgulho em ser latino e tem se manifestado em apoio a imigrantes em ocasiões públicas, saudando comunidades durante shows em cidades como Los Angeles.
Em Curaçao, além do set list repleto de hits — com canções como “Mi Gente”, “LA CANCIÓN”, “Ginza” e “Se Tu Novio te Deja Sola” — ele contou com a participação especial de Ryan Castro, que embora seja colombiano fez sucesso inicialmente na ilha. O dueto em “Dalmation”, lançado recentemente, ganhou destaque na apresentação. Para o público brasileiro, fala-se que J Balvin trará para o palco Pedro Sampaio.
A versão local de Curaçao, normalmente pacata, foi abalada por esse furacão colombiano do reggaeton. E, por coincidência, a previsão meteorológica aposta na chegada de um ciclone na região Sul e Sudeste neste final de semana, o que cria uma sobreposição curiosa entre metáfora musical e alerta real do tempo.
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