Distribuidora Bleecker Street divulgou um teaser de 48 segundos do documentário dirigido por Alex Gibney. Quase quatro horas de duração, ele mistura imagens de lançamentos e depoimentos que pintam um retrato tenso e crítico de Elon Musk.
A distribuidora Bleecker Street divulgou, nesta segunda, 7, um teaser do documentário Musk, dirigido por Alex Gibney. O trailer de 48 segundos mistura imagens de lançamentos e quedas de foguetes com depoimentos que pintam um retrato controverso do empresário. O filme tem duração de 3 horas e 52 minutos e se propõe a esmiuçar a figura pública de Elon Musk, com uma abordagem que vai além da trajetória empresarial.
“Ele é caótico, imprevisível, caprichoso. Ele é manifestamente cruel e egoísta. Em um romance de ficção científica, ele não seria um herói. Um homem que perdeu a cabeça.”
Segundo o diretor, Elon Musk não esteve diretamente envolvido na produção. Musk foi procurado para participação, mas recusou o convite para ser entrevistado, e a equipe optou por uma solução polêmica: criar uma versão do empresário por meio de inteligência artificial para reproduzir falas que ele proferiu publicamente ao longo dos anos. A decisão teria ocorrido após consultas com a assessoria jurídica da produção.
“Eles nos deram sinal verde para seguir em frente”, afirmou Gibney.
Outro ponto de destaque do longa é a entrevista exclusiva com Ashley St. Clair, ex-namorada de Musk. Em coletiva no Festival de Veneza, ela relatou ter rejeitado um acordo de confidencialidade de US$ 40 milhões (aproximadamente R$ 205 milhões, na cotação atual do dólar) para conceder o depoimento. St. Clair, que ganhou notoriedade nos Estados Unidos como comentarista política de direita, disse que agora se arrepende de algumas posições que tomou no passado e justificou sua participação como um gesto pedagógico para os filhos.
“Envolvi-me na política republicana aos 18 anos, depois de conhecer Charlie Kirk, e havia um clima de ignorância. Mas essa ignorância não justifica qualquer participação minha nisso. Espero que o risco que estou correndo agora, ao me manifestar e tentar lutar contra isso, ajude pelo menos um pouco.”
“Tomei a decisão de participar do documentário para dar o exemplo aos meus filhos de que nunca devemos nos acomodar com a ideia de que estamos falando a verdade.”
Gibney, vencedor do Oscar e conhecido por obras que investigam grandes instituições e figuras públicas — entre elas Enron: Os Mais Espertos da Sala, Mea Maxima Culpa: Silêncio na Casa de Deus, Going Clear e Agentes do Caos — trabalha no filme sobre Musk há vários anos. Ele explicou que o foco do projeto evoluiu: do plano inicial, mais curto e centrado na trajetória empresarial, para um exame mais amplo que inclui o envolvimento do empresário com a política dos Estados Unidos e seu alinhamento com Donald Trump, bem como apoio a causas de direita globalmente.
“As pessoas têm suas opiniões sobre ele, mas acho que o desafio… é trazer algo que as pessoas não esperam encontrar, algo no material que está escondido, algumas coisas que estão bem à vista, que é o que eu diria que estamos encontrando e que acho que vai surpreender as pessoas.”
Gibney também afirmou que nenhum de seus filmes anteriores se compara, em termos de abrangência do poder de uma pessoa, à história de Musk.
Musk estreou no Festival de Cinema de Veneza nesta terça, 8. A Bleecker Street lançará o filme nos cinemas dos Estados Unidos em 16 de outubro, mas ainda não há data de lançamento confirmada no Brasil. O documentário deve chegar à HBO ainda este ano.
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