Após o sucesso de 1988, a banda buscou novos rumos e em 1990 lançou um álbum que gerou forte controvérsia entre críticos e fãs. Membros chegaram a criticar a obra enquanto investiam em projetos solo.
O Iron Maiden, uma das bandas de heavy metal mais icônicas, começou os anos 90 buscando novos horizontes após o sucesso de Seventh Son of a Seventh Son (1988). O resultado foi o polêmico oitavo álbum de estúdio, No Prayer for the Dying (1990), que se tornou uma das obras mais controversas da banda, frequentemente criticada e até renegada pelos próprios membros.
Depois de um intenso período de turnês em 1989, a expectativa era de um merecido descanso. No entanto, os integrantes se dedicaram a projetos paralelos para canalizar sua criatividade. O vocalista Bruce Dickinson lançou o álbum solo Tattooed Millionaire (1990) e o guitarrista Adrian Smith trabalhou em Silver and Gold (1989) com seu projeto ASAP.
Desejando retornar às raízes do som da banda, o baixista e líder Steve Harris propôs uma mudança radical na sonoridade, buscando um disco mais direto e cru. Essa nova direção, no entanto, gerou divergências internas, especialmente com Adrian Smith, que tinha preocupações sobre a identidade da banda. A tensão resultou na saída de Smith durante a pré-produção, marcando a primeira baixa na formação clássica do Iron Maiden.
“Fiquei arrasado por ele não querer mais estar ali, mas pensei: ‘Temos de ser firmes quanto a isso’.”
Para substituir Smith, o Iron Maiden trouxe Janick Gers, um guitarrista que já havia colaborado com Dickinson. Apesar de sua energia nos palcos, a saída de Smith privou a banda de um de seus principais compositores. A gravação do álbum também trouxe escolhas questionáveis, como a decisão de gravar no celeiro da propriedade de Harris, em Essex, com a unidade móvel dos Rolling Stones. Essa abordagem visava capturar uma sonoridade ao vivo, mas a acústica do local não atendeu às expectativas.
“Tentamos fazer com que o álbum soasse o mais próximo possível de uma apresentação ao vivo. Para mim, o resultado não foi bem o esperado.”
Bruce Dickinson, por sua vez, expressou forte arrependimento quanto ao método de produção, considerando que o disco possui uma sonoridade ruim. Ele chegou a criticar a “inocência” da banda em acreditar que gravar em um celeiro resultaria em um grande álbum de rock. Ao longo dos anos, Dickinson manifestou seu descontentamento, afirmando que o resultado final foi insatisfatório.
Além disso, o álbum trouxe uma mudança significativa no estilo vocal de Dickinson, que abandonou o tom operístico característico, optando por uma interpretação mais rouca. Essa decisão dividiu a opinião dos fãs e afetou a grandiosidade das composições. O trabalho focou em músicas mais curtas, com letras que abordavam críticas sociais e políticas da época, como em Holy Smoke.
Ironicamente, o maior sucesso comercial do álbum veio de uma faixa que não foi originalmente escrita para o Iron Maiden. Bring Your Daughter… to the Slaughter, composta por Dickinson para a trilha sonora do filme A Hora do Pesadelo 5 (1989), alcançou o primeiro lugar na parada de singles do Reino Unido, sendo o único número um da história da banda.
A recepção crítica e do público foi morna, com o álbum alcançando a segunda posição nas paradas britânicas, mas com sinais de desaceleração nos Estados Unidos, tornando No Prayer for the Dying o último disco da banda a receber certificação de ouro por lá. Com o passar dos anos, até mesmo Steve Harris reconheceu que a ideia de som “ao vivo” não funcionou como esperado, e as faixas desse álbum foram praticamente excluídas do repertório de shows após a saída temporária de Dickinson em 1993.

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