Cólicas e outros sintomas menstruais afastam estudantes das salas de aula por até dois dias por mês. O problema compromete o aprendizado e o rendimento escolar de jovens em todo o país.
As cólicas menstruais e outros sintomas relacionados à menstruação têm um impacto significativo na vida escolar de muitas jovens brasileiras. Segundo uma pesquisa recente realizada pelo Instituto Alana em parceria com o Instituto Equidade.info, 4 em cada 10 estudantes no Brasil já faltaram às aulas devido a sintomas menstruais.
Os dados revelam que essas ausências podem somar até dois dias por mês, afetando o aprendizado e a socialização. As consequências incluem dificuldades de concentração, cansaço extremo, alterações emocionais e queda no rendimento escolar. A pesquisa, conduzida em fevereiro deste ano, contou com a participação de 2.551 estudantes, sendo 770 delas menstruantes, além de 303 docentes e 181 gestores escolares de redes públicas e privadas de todo o país.
O levantamento aponta que a cólica é a principal causa de ausência escolar, mencionada por 58% das entrevistadas. No entanto, outros sintomas também foram destacados: cansaço e dores no corpo (30,1%), dores de cabeça (28%), dor de barriga (20,1%), vergonha e medo de vazamento (19,3%), e falta de banheiro ou produtos de higiene adequados (8,2%).
“Cólicas intensas e outros sintomas incapacitantes não devem ser normalizados, pois podem indicar condições médicas como endometriose ou dismenorreia”, alertam especialistas.
Além disso, muitos estudantes enfrentam constrangimentos ao buscar ajuda, temendo não serem levadas a sério ou lidando com a falta de infraestrutura nos banheiros escolares. Esse tema ganhou destaque em maio, quando o Ministério das Mulheres promoveu um webinário nacional sobre dignidade menstrual no ambiente escolar, visando ampliar o conhecimento e o acolhimento.
Embora a menstruação seja uma parte natural da vida de milhões, ainda é um assunto cercado de tabus. Isso pesa especialmente sobre adolescentes, que muitas vezes enfrentam dores intensas sem apoio adequado.
A conscientização sobre a saúde menstrual é essencial para melhorar a qualidade de vida das estudantes e garantir que possam participar plenamente das atividades escolares. As iniciativas de combate ao estigma e à pobreza menstrual são passos importantes para alcançar esse objetivo.
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