O artista abriu o jogo sobre a fase difícil de deixar a casa da mãe e encarar a vida adulta. A experiência marcou sua evolução pessoal e criativa.
Ryu, the Runner passou por uma transformação que mudou não apenas sua vida, mas também sua carreira. Aos 21 anos, enquanto trabalhava em seu primeiro grande projeto, ele decidiu dar um passo ousado: saiu de casa e começou a viver sozinho. Sem o apoio da mãe, longe dos amigos e sem uma rede de segurança, ele encarou a realidade de ser adulto. Em uma conversa descontraída, Ryu compartilhou:
“É mais difícil do que parece. Eu falei: ‘Caralho, era para ter ficado na casa da minha mãe’. [risos] Mas foi uma fase, foi difícil.”
Durante esse período de autodescobrimento, Ryu estava criando músicas que mais tarde se transformariam em sua mixtape de estreia, Adulto Ideal. Este projeto surgiu em meio a reflexões sobre os desafios da vida adulta. Embora estivesse repleto de dúvidas e inseguranças, ele lançou o Vol. 1 em outubro de 2024, mas o início foi tímido. Ele comentou:
“Senti que não foi tão bem aceito no começo. Acho que o trap tava passando por um momento meio estranho.”
Determinada a fazer seu trabalho ser reconhecido, Ryu tomou uma atitude rara para alguém que já tinha conquistado sucesso rapidamente: decidiu sair às ruas e realizar mais shows. Ele comentou sobre essa estratégia:
“Vi que precisava fazer o trabalho de formiguinha. Antes, tudo batia, mas agora tinha que fazer diferente.”
Com o tempo, as músicas começaram a ganhar popularidade. Adulto Ideal Vol. 1 alcançou impressionantes 40 milhões de plays, e enquanto isso acontecia, Ryu continuava a viver sua nova realidade, aprendendo com os altos e baixos da vida. Ele observou que, ao longo dos meses, não apenas os números mudaram, mas também sua perspectiva.
“O palco é um lugar muito doido. Quando comecei, tava no automático. Mas, conforme fui ficando mais velho, comecei a ver como o meu fã agia, como as pessoas reagiam. Agora, estou começando a aproveitar mais,” ele refletiu.
Com essa nova bagagem, Ryu decidiu que era hora de continuar sua jornada musical. O que começou como uma pergunta no Vol. 1 se transformou em uma resposta no Vol. 2.
“O Vol. 2 é o irmão mais velho do Vol. 1,”
ele explicou, destacando como a nova fase traz uma abordagem mais madura e direta. Após criar 40 faixas, ele selecionou 10 para o Vol. 1 e gravou mais 14 para o Vol. 2, deixando de lado algumas que seus amigos gostavam, mas que não se encaixavam no conceito. Ryu enfatizou:
“Parei de produzir tanto, mas produzo as minhas faixas. Agora, deixo o produtor fazer e depois só mexo no que quero.”
O álbum, que conta com colaborações de amigos e artistas que ele admira, reflete sua evolução. Ele também fez uma conversa significativa com Ice Blue, dos Racionais MC’s, antes do lançamento do Vol. 2, um gesto que revelou a busca de Ryu por um entendimento mais profundo das suas experiências.
Quando o Vol. 2 saiu em abril de 2025, a recepção foi notavelmente diferente. As pessoas já conheciam seu trabalho e estavam prontas para se conectar com as novas mensagens que ele trazia. O disco rapidamente alcançou 10 milhões de plays, e Ryu descreveu o momento como surreal:
“Mano, assustava. Eu ouvia Racionais na infância inteira e ter essa benção do Blue desse jeito… eu fiquei muito feliz.”
O projeto é composto por 14 faixas, cada uma delas explorando temas como maturidade, ambição e os perigos que vêm com a exposição. Ryu concluiu:
“A maturidade aparece na escuta e na observação. A ambição na busca constante por evolução. E o perigo como consequência da exposição que vem com o crescimento.”
Com uma sonoridade diversificada e colaborações de produtores que ele confia, Ryu continua a se reinventar e a explorar seu potencial artístico. E quando perguntado sobre um possível Vol. 3, sua resposta foi direta:
“Não. Acho que fechei.”

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