Mais de 300 mulheres se uniram para comprar um castelo no sul da França e transformá-lo no Camp Chatêau, um retiro de verão voltado exclusivamente ao público feminino. O imóvel foi adquirido com aportes coletivos de cerca de US$ 2,3 milhões (aproximadamente R$ 11,9 milhões) e recebeu ainda cerca de US$ 300 mil (cerca de R$ 1,4 milhão) destinados a reformas e melhorias de segurança.
O projeto, pensado como uma experiência de seis dias, reúne hospedagem, refeições, atividades e passeios. Entre as propostas do cronograma estão aulas matinais de ioga, tardes de pintura acompanhadas por vinho e saídas para procurar antiguidades. A organização também enfatiza a liberdade de optar por uma programação intensa ou por descansar sem compromisso.
Quem idealizou
O Camp Chatêau nasceu a partir da iniciativa de três mulheres: Philippa Girling, executiva com mais de 30 anos de experiência em finanças e empreendedorismo; Lynda Coleman, com trajetória em gestão de eventos e cruzeiros; e Leah Lykins, educadora e fundadora de uma ONG. As fundadoras encontraram o castelo por acaso durante uma busca online e se sentiram atraídas pela atmosfera do local, que, segundo elas, provoca uma sensação imediata de acolhimento.
Formato e público
O retiro não adota hierarquias: não há ingressos VIP e todas as participantes dormem em quartos compartilhados com beliches. As atividades são distribuídas de forma a incluir diferentes idades e perfis — participantes vão dos 20 aos 70 anos — e os chamados distintivos, usados como reconhecimento, são entregues igualmente, independentemente de a pessoa ter participado de uma oficina ou simplesmente escolhido descansar.
A programação privilegia experiências coletivas que facilitam vínculos, como preparar geleia, pintar aquarela ou cavalgar em pequenos grupos. As organizadoras relatam que muitas amizades formadas durante os acampamentos se estendem para fora do retiro, com reencontros em outras viagens e celebrações.
Operação e expansão
Desde 2023, quando ocorreram as primeiras edições (o primeiro ano reuniu cerca de 96 mulheres), o Camp Chatêau recebeu participantes de 26 países, incluindo Austrália, Índia, Emirados Árabes Unidos, Malásia, além de nações europeias e da América do Sul. Em função da demanda, a equipe adotou um sistema de reservas mais robusto e ampliou o quadro de funcionários. Atualmente o projeto opera em duas propriedades na França, sendo que a segunda está pronta para receber sua primeira turma.
As reservas costumam ser abertas com antecedência, normalmente no ano anterior às sessões. Para o verão europeu atual, a expectativa é atender até 1.500 participantes, um aumento significativo em relação às primeiras edições. As estadias têm preços a partir de €2.250 (cerca de R$ 13 mil) por pessoa em semanas selecionadas.
Mais de 300 mulheres constam na lista de espera para se tornarem “membros fundadoras”. Além do direito de participar do retiro uma vez por ano, essas investidoras recebem retorno financeiro: a organização oferece um rendimento de 5% sobre o aporte, segundo as fundadoras, que avaliam a possibilidade de ampliação para novos países e formatos conforme a demanda.
Com informações de Revistamarieclaire.globo
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