Meryl Streep critica a “marvelização” do cinema após estreia de O Diabo Veste Prada 2
Meryl Streep, em entrevista coletiva ao lado de Anne Hathaway e Emily Blunt, afirmou que a popularização dos filmes de super‑heróis reduziu a complexidade de protagonistas e antagonistas. A declaração foi dada durante participação no programa Hits Radio Breakfast Show, pouco depois da estreia, nos cinemas brasileiros, de O Diabo Veste Prada 2.
O filme estreou há pouco mais de uma semana no Brasil e, no primeiro final de semana de exibição, arrecadou cerca de US$ 233,6 milhões, superando o orçamento de US$ 100 milhões — número que representa a maior abertura da carreira de Meryl Streep. Aos 76 anos, a atriz, que acumula 21 indicações ao Oscar e três vitórias, disse que percebe uma tendência à simplificação dos personagens: “Acho que há essa tendência de marvelização dos filmes agora. Temos os vilões e temos os mocinhos, e é tão chato”, declarou, acrescentando que valoriza obras com personagens mais contraditórios e humanos.
Streep destacou que O Diabo Veste Prada 2 traz essa complexidade que ela considera rara em produções dominadas pelo modelo dos estúdios de super‑heróis. Segundo a atriz, o novo filme é “mais bagunçado” e oferece papéis com nuances, fator que a levou a retomar a personagem Miranda Priestly.
Outros nomes de peso de Hollywood também têm criticado o predomínio dos longas de super‑heróis. Jennifer Aniston, por exemplo, afirmou que as oportunidades de papéis diminuíram porque “só há grandes filmes da Marvel, ou outras coisas para as quais eles nunca pensam em mim”, e declarou não estar interessada em “viver em uma tela verde”.
Edward Norton, quatro vezes indicado ao Oscar e que interpretou o personagem-título em O Incrível Hulk (2008), falou sobre divergências criativas com o estúdio durante a produção do filme. Norton relatou que suas ideias sobre a origem e a evolução do personagem não foram plenamente adotadas e que isso influenciou sua relação com a franquia.
Diretores premiados também se manifestaram. Martin Scorsese classificou os filmes como algo mais próximo de parques temáticos do que do cinema tradicional, afirmando não vê‑los como “cinema de seres humanos tentando transmitir experiências emocionais e psicológicas”. James Cameron comentou, de forma irônica, que espera “ficarmos cansados dos Vingadores em breve” e apontou que existem outras narrativas a serem exploradas. David Fincher observou que muitos profissionais talentosos sentem falta de projetos mais complexos e planejados, capazes de oferecer desafios narrativos além do formato previsível adotado por algumas franquias.
Para Streep, a recepção do público a O Diabo Veste Prada 2, refletida pela bilheteria inicial, confirma a atratividade de produções que se afastam da “marvelização” e privilegiam personagens com ambiguidade e profundidade.
Com informações de Revistamonet.globo
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