Mulher de 32 anos teve perda dentária e infecções depois de emagrecer 42 kg
Mariana de Souza Freitas, 32 anos, especialista em marketing que mora em Florianópolis (SC), passou por cirurgia bariátrica após atingir obesidade grau 3 e relata problemas dentários graves no período de recuperação. Segundo ela, os exames pré-operatórios não apontaram cáries, mas, pouco mais de um ano depois do procedimento, vários dentes se fragilizaram, duas restaurações se romperam e houve necessidade de tratamento de canal em pelo menos um dos dentes afetados.
Freitas conta que o ganho de peso ocorreu na vida adulta e se intensificou durante a pandemia, quando a alimentação acabou sendo um dos poucos prazeres disponíveis. Antes da cirurgia, ela relatava limitações provocadas pela obesidade: pressão alta, náuseas ao comer, dor no joelho e cansaço que dificultava atividades simples, como descer escadas. Também descreve impactos emocionais e situações constrangedoras, como evitar encontros familiares, dificuldade para encontrar roupas, quase ficar presa em catracas e quebrar cadeiras em espaços públicos. Essas queixas, somadas às tentativas frustradas com dieta e medicamentos, levaram-na a optar pela cirurgia.
A primeira tentativa de internamento ocorreu em 2023, mas o plano de saúde alegou período de carência. O procedimento só foi realizado um ano depois. No pré-operatório da clínica, o cirurgião solicitou avaliação odontológica; o dentista que a examinou na época não registrou cáries nem alterações na mordida. Após a operação, Freitas emagreceu 42 quilos e conseguiu suspender medicamentos que usava continuamente, além de retomar atividades físicas sem dor.
Contudo, aos um ano e dois meses do pós-operatório, ao mastigar um alimento macio — arroz, feijão e carne — dois dentes se quebraram. Um deles foi totalmente restaurado e deixou de causar incômodo; o outro permaneceu sensível. Em novo atendimento, a dentista verificou que grande parte da arcada apresentava cáries e restaurações comprometidas. O dente com sensibilidade estava com pus e necessitava de tratamento endodôntico. Freitas precisou tomar antibiótico e aguarda redução do inchaço para prosseguir com o canal.
Profissionais ouvidos explicam que mudanças comuns após a cirurgia bariátrica favorecem a formação de cáries: a ingestão passa a ser em volumes menores e com maior frequência, expondo os dentes a ácidos produzidos por bactérias com mais regularidade. Além disso, muitos pacientes têm redução no fluxo salivar, o que diminui a capacidade natural de neutralizar esses ácidos. Com isso, a cárie pode evoluir mais rápido e alcançar a polpa dentária, exigindo tratamentos como o canal.
Os sinais de avanço da cárie incluem manchas brancas no esmalte, cavitação, sensibilidade ao frio e ao doce, mau hálito e dor. Para prevenir problemas, especialistas recomendam acompanhamento odontológico antes e depois da cirurgia, adaptações na rotina de higiene — incluindo frequência de escovação e uso de produtos específicos — e profilaxias profissionais mais frequentes.
Com informações de Revistamarieclaire.globo
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