Diretor critica escolha de protagonista e defende tom mais sombrio para a adaptação
O cineasta Brian De Palma declarou arrependimento por ter escalado Tom Hanks para o papel de Sherman McCoy em A Fogueira das Vaidades (1990) e afirmou que outro ator — John Lithgow — teria sido mais adequado para a personagem. A posição do diretor ressurgiu em conversas sobre o filme, adaptado do romance de 1987 de Tom Wolfe.
Tom Hanks, hoje com 69 anos e consolidado como um dos nomes mais reconhecidos de Hollywood após vencer o Oscar de Melhor Ator por Filadélfia (1993) e Forrest Gump (1994), chegou ao auge comercial no início dos anos 1990. Apesar do prestígio, sua carreira já teve momentos polêmicos: o diretor Henry Winkler chegou a responsabilizá-lo pela própria saída do elenco de Uma Dupla Quase Perfeita (1989) e, quando Hanks foi escalado para Filadélfia, recebeu cartas de ódio de parte da comunidade LGBTQIA+ por ser um ator heterossexual interpretando um homem gay e pela percepção de que o filme teria suavizado a gravidade da epidemia de AIDS.
Sobre A Fogueira das Vaidades, De Palma criticou o rumo tomado na produção. Segundo o diretor, “o conceito inicial estava incorreto; se você for fazer ‘A Fogueira das Vaidades’ (1990), você precisa fazer de modo mais obscuro e cínico”. De Palma explicou que, por se tratar de uma produção cara de estúdio, houve a tentativa de humanizar Sherman McCoy — um personagem, na visão do diretor, “extremamente desagradável” — em vez de manter uma abordagem mais amarga e satírica.
O cineasta também comentou sobre a escolha do elenco e o orçamento. “Nós teríamos conseguido fazer esse filme se tivéssemos um baixo orçamento”, afirmou, sugerindo que a escalação de grandes nomes e o caráter de produção de estúdio comprometeram a proposta original. “Mas era um filme [grande] de estúdio com Tom Hanks. Eu acho que John Lithgow teria sido uma escolha muito melhor para viver Sherman McCoy, porque ele teria tido a arrogância que o personagem precisava”, completou.
A produção contou ainda com nomes como Bruce Willis, Melanie Griffith e Morgan Freeman. Com orçamento próximo de US$ 50 milhões, o filme foi um fracasso de bilheteria e crítica na época: não conseguiu arrecadar nem US$ 16 milhões, segundo registros.
Tom Hanks já chegou a classificar A Fogueira das Vaidades como “um dos piores que eu já fiz”, posicionamento que se alinha à avaliação posterior de De Palma sobre os erros de concepção e de escalação na produção.
Fonte: Revistamonet.globo
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