Retiro dos Artistas – Em entrevista ao podcast “Vozes do Retiro”, o ator Stepan Nercessian, presidente da instituição, contou como reverteu o estigma de abandono que rondava o local e o converteu em referência de acolhimento e bem-estar para artistas veteranos.
Logo que assumiu a gestão, Nercessian encontrou um cenário que classificou como “caótico”. A primeira ação, segundo ele, foi recuperar a autoestima dos moradores, começando por uma grande faxina e reorganização dos espaços.
“Assim que cheguei, estava em uma situação caótica. Tinha consciência de que a primeira coisa a fazer era recuperar a autoestima de quem estava ali.”
O ator frisa que o Retiro deixou de ser visto como “depósito de gente” ou “estação final” de carreira.
“Cansei de repetir que aqui não é um depósito de gente, nem a estação final da carreira de ninguém.”
Da praga ao desejo de bem
Ele recordou a ajuda da amiga Dercy Gonçalves, cujo nome batiza o centro cultural da instituição. De acordo com Nercessian, a humorista costumava comparar como a percepção sobre o Retiro mudou ao longo do tempo.
“Ela falava assim: ‘No meu tempo de jovem, quando a gente queria jogar praga em alguém, falava: ‘Ah, você vai terminar os seus dias no Retiro dos Artistas’. Ela própria dizia que “hoje, quando você deseja o bem para alguém, fala: ‘Tomara que termine os dias lá’”.”
Sonhos que não envelhecem
Ainda segundo o presidente, o ambiente do Retiro estimula seus moradores a manter viva a criatividade. Ele brinca que “até o Alzheimer de lá é diferente” porque ninguém deixa de sonhar. Como exemplo, citou a atriz Yolanda, que, mesmo cega e delirante, descrevia com detalhes uma imaginária “escadaria rosa” iluminada.
“Vai, desce devagar, passo a passo, porque essa escadaria rosa está linda com essa iluminação.”
Nercessian encerrou a conversa reforçando que, no Retiro dos Artistas, “não se deve parar de sonhar em hora nenhuma”.
Fonte: Portal LeoDias
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