Mudar levemente a direção dos pés na hora de caminhar pode aliviar a dor provocada pela osteoartrite no joelho tão bem quanto analgésicos de venda livre, indica um estudo publicado no início de agosto.
A equipe liderada por Scott Uhlrich, diretor do Laboratório de Bioengenharia do Movimento da Universidade de Utah (EUA), treinou adultos com artrose leve a moderada a caminhar com os dedos apontados de 5º a 10º para dentro ou para fora. A manobra redistribuiu a carga sobre a articulação, gerando menos incômodo.
Como o teste foi feito
Dos 1.582 voluntários avaliados, 68 apresentavam dor na parte interna do joelho e entraram no ensaio clínico randomizado. Cada participante foi testado em quatro ângulos diferentes de pisada; apenas aqueles que mostraram redução de esforço na região dolorida seguiram adiante.
Os selecionados foram divididos em dois grupos:
- Intervenção – treinaram a caminhar no ângulo que melhor aliviava a carga;
- Simulação – mantiveram a marcha habitual, servindo de controle.
Durante seis semanas, todos andaram uma vez por semana numa esteira com sensores de pressão. Ao se desviar mais de dois graus do ângulo prescrito, recebiam um leve zumbido na perna como alerta. Retornos trimestrais garantiram que a nova forma de pisar fosse mantida.
Resultados após um ano
Na escala de 0 a 10 usada para medir a dor, o grupo de intervenção relatou queda semelhante à obtida com anti-inflamatórios não esteroides (AINEs). Ressonâncias magnéticas feitas no início e no fim do estudo mostraram ainda que a degeneração da cartilagem foi mais lenta entre esses participantes.
Uhlrich compara o efeito à ação das joelheiras, consideradas eficientes, porém desconfortáveis para uso contínuo. Já o consumo prolongado de AINEs pode causar problemas gastrointestinais, lembra o pesquisador.
Imagem: Internet
Personalização é essencial
Os cientistas alertam que alterar a marcha sem orientação pode sobrecarregar outras áreas do joelho. “Nem todo mundo se beneficia da mesma mudança”, reforça Uhlrich.
Embora o experimento tenha usado equipamentos de laboratório, pesquisadores trabalham agora em um “tênis inteligente” e em sistemas de análise via smartphone para levar a técnica a consultórios de fisioterapia.
O estudo, que durou quase três anos, ressalta que mais testes com grupos maiores são necessários antes que a estratégia seja adotada em larga escala.
Com informações de Folha de S.Paulo
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