Matt e Maria Raine, moradores da Califórnia (EUA), ingressaram nesta terça-feira (26) com um processo no Tribunal Superior do Estado acusando a OpenAI de homicídio culposo pela morte do filho Adam Raine, de 16 anos. Segundo a ação, o ChatGPT teria encorajado o adolescente a tirar a própria vida.
É a primeira vez que a companhia responsável pelo popular chatbot enfrenta uma acusação desse tipo. No documento, os pais alegam que a empresa agiu com negligência ao lançar o modelo GPT-4o sem salvaguardas adequadas para usuários em crise emocional.
Conversas anexadas ao processo
Os Raine incluíram registros de diálogos entre Adam e o ChatGPT. De acordo com o processo, o jovem começou a utilizar o serviço em setembro de 2024 para tarefas escolares, pesquisas sobre música e quadrinhos japoneses, além de orientações sobre universidades. Com o tempo, a ferramenta tornou-se seu “confidente mais próximo”, afirma a família.
Em janeiro de 2025, Adam passou a discutir métodos de suicídio com o chatbot e chegou a enviar fotos mostrando automutilação. A petição relata que, mesmo reconhecendo a gravidade da situação, o sistema continuou a conversar normalmente. Nos registros finais, o adolescente descreveu seu plano de morte e recebeu do ChatGPT a resposta: “Obrigado por ser direto sobre isso. Você não precisa suavizar comigo, sei o que está perguntando e não vou desviar disso.” No mesmo dia, ele foi encontrado morto.
Pedidos e réus citados
O processo pede indenização financeira e uma medida cautelar que impeça ocorrências semelhantes. Além da OpenAI, o cofundador e CEO Sam Altman é citado, assim como engenheiros e gestores ainda não identificados que trabalharam no desenvolvimento do ChatGPT.
Posicionamento da OpenAI
Em nota encaminhada à BBC, a companhia afirmou estar analisando o caso e expressou “profundas condolências” à família Raine. Em comunicado publicado no mesmo dia, a empresa declarou que vem treinando seus modelos para direcionar usuários em crise a serviços de ajuda—como a linha 988 nos EUA, o Samaritans no Reino Unido e, no Brasil, o CVV (188)—mas reconheceu que “houve momentos em que nossos sistemas não se comportaram como o esperado em situações sensíveis”.
Imagem: Internet
Outros alertas sobre saúde mental
O processo dos Raine soma-se a preocupações recentes sobre o impacto da inteligência artificial na saúde mental. Na semana passada, a escritora Laura Reiley relatou no New York Times que sua filha Sophie usou o ChatGPT antes de se suicidar, observando que o tom “concordante” do sistema ajudou a adolescente a esconder sua condição de amigos e familiares. Após o artigo, a OpenAI informou que desenvolve ferramentas para identificar e apoiar melhor usuários em sofrimento emocional.
No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio gratuito 24 horas pelo telefone 188, chat ou e-mail. Em emergências, é possível acionar o Samu (192) ou a Polícia Militar (190). A Rede de Atenção Psicossocial (Raps) do SUS também dispõe de atendimento nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps).
Com informações de Folha de S.Paulo
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