Em teleconferência, a diretora financeira Lin Tao disse que a Sony não recuará na descontinuação das edições físicas. A empresa justifica a mudança pela digitalização, mesmo com críticas de jogadores e varejistas.
A Sony não irá recuar em sua decisão de encerrar a produção de jogos físicos para o PlayStation, com o previsto para janeiro de 2028. Mesmo com a avalanche de críticas, a empresa reafirmou sua posição em uma recente teleconferência de resultados, onde a diretora financeira, Lin Tao, compartilhou que a digitalização do conteúdo é uma das principais razões para essa mudança.
“Há várias razões pelas quais tomamos essa decisão. A principal é que a digitalização do conteúdo, como um todo, tem avançado”, afirmou Lin Tao.
Apesar da recepção negativa, a executiva destacou que a Sony não irá mudar seu curso. Em suas palavras, “Pensamos muito sobre o futuro. Consideramos cuidadosamente [encerrar os discos físicos] e recebemos várias opiniões. As pessoas têm visões fortes. Os jogos são amados por muitas pessoas e entendemos essas emoções, mas vamos seguir em frente com cautela”. Essa declaração parece ter encerrado, pelo menos por enquanto, qualquer esperança de que a pressão pública pudesse influenciar a decisão da empresa.
Por outro lado, a reação dos consumidores continua intensa. Uma petição que pede que a Sony não “mate o disco” já ultrapassou 345 mil assinaturas, e grupos de fãs estão organizando um boicote econômico à plataforma por uma semana como forma de protesto. Um dos organizadores expressou a insatisfação da seguinte maneira: “A Sony quer abandonar os fãs? Vamos dar a ela um pequeno gosto do próprio remédio”.
Além disso, a indústria também se manifestou contra a decisão. O renomado designer Hideo Kojima descreveu essa mudança como “assustadora” e “aterrorizante”, especialmente após a Sony ter removido centenas de filmes das bibliotecas de usuários do PlayStation 5 devido ao vencimento de acordos de licença.
Analistas do setor alertam que essa medida pode ser prejudicial para o varejo especializado. Alguns consumidores já estão boicotando o aguardado Grand Theft Auto 6, após a confirmação de que a Take-Two Interactive, responsável pelo jogo, incluirá apenas um código de download nas edições físicas, sem disco. A Sony justifica sua decisão com base em dados de consumo, apontando que, neste ano, apenas sete jogos de PlayStation venderam mais de 100 mil cópias físicas nos Estados Unidos.
A mudança foi inicialmente apresentada como “uma direção natural” para acompanhar as tendências do mercado. No entanto, o cenário é complexo, com um mercado de segunda mão avaliado em US$ 7,2 bilhões globalmente, além das preocupações de consumidores sem acesso estável à internet e a resistência institucional em países como Brasil e México, onde parlamentares já acionaram órgãos de defesa do consumidor. Este panorama indica que a transição prometida pela Sony pode ser mais desafiadora do que a empresa parece disposta a admitir.
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