Em 2018, o veterano destacou a técnica e o caráter musical do sueco, afastando rivalidades. O gesto reforça respeito profissional e a continuidade de influências no rock.
A relação entre dois guitarristas lendários — Ritchie Blackmore e Yngwie Malmsteen — sempre chamou atenção por misturar admiração técnica e personalidade forte. Em entrevistas anteriores, Blackmore já falou sobre o sueco com um tom surpreendentemente positivo, destacando pontos técnicos que diferenciam Malmsteen de outros virtuoses do instrumento. O papo revela mais respeito profissional do que rivalidade, e mostra como influências e reconhecimento podem atravessar gerações do rock e do hard rock.
Em uma conversa de 2018, Blackmore foi questionado sobre o que pensa de Yngwie. A resposta foi clara ao reconhecer a habilidade do colega e ao mesmo tempo trazer uma observação pessoal sobre sua estatura física, em jeito de brincadeira que ameniza a dureza da fama de ambos.
“Eu conheço ele [Yngwie] e o acho um cara muito gente boa. Guitarrista excelente. Muita gente meio que questiona o ângulo dele, mas o cara obviamente sabe o que faz. Ele talvez seja alto demais, mas essa é minha única crítica.”
Blackmore não parou em elogios superficiais. Ele ressaltou que, tecnicamente, vê em Malmsteen uma proposta distinta — não aquela abordagem típica do blues aplicada a escalas menores, mas um manejo de escalas que torna as frases mais interessantes e, segundo ele, mais rápidas.
“Definitivamente acho que ele é o melhor no que faz e – pra ser sincero – o mais rápido. Ele não toca o blues típico, com interpretações de escala menor. Ele sabe suas escalas, é mais interessante.”
Do outro lado, Malmsteen nunca escondeu a influência de Blackmore em seu próprio trabalho. Em 2008, o sueco relatou ter decorado todos os solos do álbum ao vivo Made in Japan (1972), do Deep Purple, como parte de sua formação musical — um gesto que deixa evidente a admiração técnica e histórica que liga os dois nomes.
Além das trocas sobre virtuosismo, a história recente trouxe um momento simbólico de reencontro com o passado. Fãs que estavam no show do Deep Purple no dia 12, em Wantagh (Nova York), viram Blackmore subir ao palco para tocar o clássico “Smoke on the Water”. A aparição foi notada por muitos justamente porque ele não se apresentava com a banda desde 1993.
“Na verdade, eu liguei… não liguei, mas enviei meu pombo-correio com inteligência artificial para Ian Gillan, em Portugal, onde ele mora atualmente. E perguntei: ‘O que você acha de eu subir ao palco só para o bis? Apenas uma das músicas. Não quero ser invasivo’. E disse: ‘Sem pressão — apenas para relembrar os velhos tempos’. Já tenho 81 anos. Então, ele pareceu adorar a ideia, levou para a banda, recebeu o sinal verde e parece que vamos fazer isso.”
O episódio em Wantagh e as declarações mostram que, apesar do temperamento e das lendas que rodeiam ambos, existe entre eles um reconhecimento técnico e uma ponte geracional — do Deep Purple dos anos 1970 ao virtuosismo neoclássico que Malmsteen trouxe para o cenário. Para fãs de guitarra, é um lembrete de como influências se reverberam e de como encontros no palco continuam gerando histórias memoráveis.

Siga a Casa das Fofocas e receba as novidades de famosos, TV e cinema em primeira mão.


