Muitas mulheres acreditam que pausar o anticoncepcional faz bem ao corpo, mas especialista garante que isso é mito. Entenda o que a ciência diz sobre o uso prolongado.
Se você toma pílula anticoncepcional há algum tempo, pode ter ouvido que é necessário dar um descanso ao seu corpo ou que poderá ter dificuldades para engravidar no futuro. Mas essas preocupações são realmente justificadas?
Consultamos a ginecologista Juliana Teixeira para esclarecer essas dúvidas. Segundo ela, a ideia de que é preciso fazer pausas na pílula é um dos maiores mitos da ginecologia.
“A gente não precisa ficar fazendo pausas na pílula a cada tanto tempo, isso não existe”, afirma a médica. “Muito pelo contrário: time que está ganhando não se mexe”, reforça.
Juliana explica que, se o método continua funcionando bem para você e não surgiram contraindicações ao longo do tempo, não há motivo para mudar.
“Desde que você continue podendo usar aquela pílula, você está liberada para usar por quantos anos quiser”, declara.
No entanto, algumas condições de saúde podem mudar com o passar dos anos, exigindo uma reavaliação do método escolhido. Por exemplo, você pode ter começado a usar a pílula aos 18 anos sem enxaqueca com aura, mas desenvolver essa condição aos 30 anos, o que muda a recomendação para o uso da pílula.
As consultas ginecológicas periódicas são fundamentais, mesmo para quem está satisfeita com o anticoncepcional atual, para garantir que não haja novas contraindicações.
Outro receio comum é o de que o uso prolongado da pílula possa causar infertilidade ou dificultar uma gravidez futura. No entanto, Juliana garante que isso não é verdade.
“A pílula não prejudica a nossa reserva ovariana e muito menos provoca infertilidade”, assegura.
A confusão geralmente vem do fato de que muitas mulheres decidem engravidar muitos anos após começarem a usar anticoncepcionais. Durante esse tempo, a idade avança e a fertilidade naturalmente diminui.
Juliana destaca que a dificuldade em engravidar após longo uso da pílula está mais relacionada à idade avançada do que ao uso do anticoncepcional em si.