Após mais de uma década longe dos palcos, o Rush voltou a tocar e reaprender velhas peças. Lifeson chamou a faixa-título de 1977 de um quebra-cabeça técnico e emocional que exigiu trabalho intenso.
O Rush está novamente na estrada após mais de uma década afastado dos palcos, e voltar a tocar um repertório tão intrincado não tem sido tarefa simples. Para guitarrista Alex Lifeson, uma faixa em especial se destacou como um verdadeiro quebra-cabeça técnico e emocional: a faixa-título do álbum de 1977, ‘A Farewell to Kings’, que a banda não apresentava ao vivo desde 1979.
Em entrevista, Lifeson explicou que a retomada dessa música veio da ambição da banda de se superar. A decisão de trazer de volta material que não era tocado havia muito tempo exigiu um trabalho intenso de reaprendizado e adaptação. A complexidade da estrutura da canção tornou o processo ainda mais desafiador para todos os integrantes, especialmente para Lifeson, que enfrentou limitações físicas nos últimos anos.
“A gente queria ser melhor que nunca. Não apenas sermos tão bons quanto éramos e nos desafiar com músicas que não tocamos há muito tempo. Todas foram um desafio após 11 anos, de qualquer jeito, mas ressuscitar ‘A Farewell to Kings’, isso exigiu muito trabalho.”
Geddy Lee, cantor e baixista, contextualizou por que a música exige tanto esforço: a composição tem partes que, isoladamente, já são complicadas, e quando somadas criam uma sequência que demanda atenção extrema à ordem e à dinâmica das seções. Segundo ele, a introdução está em constante mutação ao longo da execução, com adições e retiradas de batidas que precisam ser memorizadas na ordem correta. O riff de abertura, além disso, tem uma técnica que impõe dificuldade a qualquer guitarrista.
“Foi a música mais difícil de aprender porque é insana. É estruturalmente estranha. Cada parte é difícil de tocar por si própria. Aí quando você junta tudo… desde o começo. Parece fácil, mas não é. Você começa a introdução e ela fica mudando. Na introdução e no outro, batidas são adicionadas, retiradas e você precisa lembrar a ordem em que isso ocorre. Aí chega no riff de abertura. É um riff muito complicado para um guitarrista tocar.”
Para Lifeson, a dificuldade ganhou uma camada extra por conta de sua condição de saúde: um dos motivos para a aposentadoria do Rush dos palcos em 2015 foi ele ter desenvolvido um quadro de artrite psoriática, que impacta os movimentos das mãos e provoca dor. Ainda assim, o guitarrista contou que se dedicou com afinco para recuperar o nível necessário para tocar as músicas da turnê.
“É, eu realmente tive dificuldades com isso. Eu toco música clássica há muito tempo, mas realmente tive dificuldades. Minhas mãos não funcionam como antes. Eu trabalho muito para que elas cheguem a esse nível e até agora, eu acho que tem dado certo. Mas tocar aquilo, como o Ged disse, tocar de uma forma bem suave e delicada, que é como está na gravação, enquanto você ainda tem outra guitarra pendurada no pescoço dolorido, exige muita ginástica para conseguir fazer tudo.”
A história revela uma combinação de técnica, memória muscular e vontade de se desafiar artisticamente. Resgatar ‘A Farewell to Kings’ não foi apenas uma questão de lembrar notas: envolveu ajustar a execução às novas condições físicas, reaprender transições complexas e coordenar o conjunto para que a peça voltasse ao repertório com a integridade sonora que a gravação original exige. Para fãs e músicos, a volta da faixa representa tanto um teste de resistência quanto uma celebração da ambição criativa da banda.
Mesmo com as dificuldades, a narrativa é de empenho e comprometimento com a música — e esse esforço se reflete na escolha de encarar repertório antigo com respeito aos detalhes técnicos que o tornam memorável.
Siga a Casa das Fofocas e receba as novidades de famosos, TV e cinema em primeira mão.


