A estrela pop elevou seu som ao rock de arena, mesclando grunge, pós-punk e baladas intensas. No palco, suas covers e hits provam que ela atravessa gerações sem perder a força emocional.
Olivia Rodrigo nunca vai se contentar em ser apenas mais uma grande garota do pop. Ela assumiu, com argumentos musicais e palco, um papel de destaque no universo do rock de arena: visceral, feminina e conectado a uma linhagem que vai do grunge ao pós-punk. Sua trajetória recente mostra alguém determinada a transitar entre a cultura pop mainstream e referências mais duras do rock, sem abrir mão do apelo emocional que a consagrou.
Desde os primeiros shows da sua carreira solo, Rodrigo se divertiu emular movimentos roqueiros — covers de Veruca Salt e Avril Lavigne apareceram já na turnê de 2022, e ela chegou a subir ao palco com nomes como No Doubt e Sheryl Crow. Mais do que homenagens, essas escolhas revelam uma construção de identidade: não apenas reconhecer influências, mas reivindicar um lugar dentro de uma tradição de mulheres que fizeram do rock uma forma de expressão plena.
“Tem algo tão especial no rock feito por mulheres. Existe uma qualidade emocional diferente nisso. A dor, a raiva e a vulnerabilidade que uma mulher consegue expressar numa música de rock é uma categoria totalmente diferente. Crescendo, eu me inspirava muito nisso.”
Rodrigo também falou da relação com as artistas que a moldaram: contou que a mãe costumava acordá-la com gravações das rainhas do grunge dos anos 90 — uma herança sonora que ela reconhece como decisiva para sua evolução.
“Vomit Heart andou para que ‘Drivers License’ pudesse correr.”
O ano passado foi citado como a era dos festivais para Rodrigo, quando ela percorreu arenas e palcos mundo afora com uma banda totalmente feminina, celebrando guitarristas e dividindo momentos com figuras variadas do rock. Em apresentações grandiosas, ela abraçou o papel de performer de arena sem perder a intimidade crua de suas composições: canções como “All-American Bitch” ganharam versões que realçaram a veia rock’n’roll que ela reivindica.
Momentos de destaque incluíram participações e duos com artistas de gerações diferentes — de Weezer a David Byrne — e encontros emblemáticos em festivais. Em Glastonbury, por exemplo, ela chamou Robert Smith de forma efusiva, transformando a colaboração em um encontro entre reverência e cumplicidade artística.
“o maior compositor a sair da Inglaterra”
No repertório de Rodrigo também há afirmações sonoras claras: o álbum You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love traz ecos do rock dos anos 80 e 90, com sintetizadores, eletropunk e dedilhados pós-punk permeando faixas como “Maggots for Brains”, “My Way” e “U + Me = <3”. A canção “The Cure” surge como um ponto alto, com influências que lembram Smashing Pumpkins e Liz Phair.
Além de se apresentar em festivais estabelecidos, ela criou o próprio evento, Daisy Chain Fields, pensado como uma celebração ambiciosa das mulheres na música. A escalação reuniu nomes de diferentes décadas e cenas — da veterana Stevie Nicks a ícones dos anos 90 como Garbage, Bikini Kill e The Breeders, e artistas contemporâneas como Mitski e Doechii — sinalizando uma curadoria que dialoga com histórias diversas do rock.
Com o produtor Dan Nigro, vindo da cena emo de Long Island, Rodrigo tem afirmado um som que mistura referências e identidade própria. Sua rouquidão natural e a entrega voltada para a raiva e a vulnerabilidade afirmam uma postura artística que tende a se manter implacável — e que promete seguir movimentando arenas e discussões sobre o que significa ser uma artista de rock no palco hoje.
Esta história faz parte da série Razões para Amar o Rock, que reúne sons, tendências, cenas e artistas que renovam o interesse pelo gênero em 2026.


